2020 será o ano do OSCAR para 1917

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Dirigido por Sam Mendes. Roteiro de Sam Mendes e Krysty Wilson-Cairns. Com: George MacKay, Dean-Charles Chapman, Daniel Mays, Pip Carter, Billy Postlethwaite, Claire Duburcq, Richard Madden, Andrew Scott, Colin Firth, Benedict Cumberbatch e Mark Strong.

O novo filme de Sam Mendes(Beleza Americana) parte de uma premissa simples para o desenvolvimento do roteiro, onde dois soldados, Schofield (MacKay) e Blake (Chapman), recebem uma missão quase suicida de entregar uma mensagem nas mãos do Coronel MacKenzie, para que o mesmo suspenda um ataque aos alemães em um dos frontes de batalha da 1º Guerra Mundial. Para que a mensagem seja entregue em tempo, a jornada de bravura dos heróis é realizada atrás das linhas inimigas.

Mas é com esse simples roteiro, como poucos diálogos e explorando clichês clássicos de guerra, com a já batida jornada do herói, que supreendentemente e imerecidamente foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, que Sam Mendes desenvolve uma obra prima, um filme belíssimo em estética, edição, fotografia, efeitos, tudo funciona como um relógio suíço, uma montanha russa de emoções, neste que sem duvida é o melhor trabalho de direção de 1917, digo de 2019, e certamente saíra vencedor na categoria de direção no prêmio da Academia.

A fotografia é sem duvida o elemento central do filme, o diretor de fotografia Roger Deakin já foi indicado 14 vezes ao Oscar de Fotografia e venceu a estatueta do Careca Pelado em 2018 com Blade Runner 2049. 1917 é  um dos seus melhores trabalhos de Deakin, principalmente pelo conceito de plano sequencia utilizado na película, intercalando em planos aberto, lentes em 35, 50 mm e grandes angulares, traz uma estética de games como Call e Duty e  Battlefield. O problema e que esse requinte na fotografia tras uma estética charmosa ás guerras, o que não deveria fazer afinal a Primeira Grande Guerra deixou quase 20 milhões de mortos.

Apesar de não ser o melhor trabalho de fotografia de 2019, lugar pertencente ao assombroso O Farol de Robert Eggers, certamente levará o Caneco Pelado, digo dourado, afinal o desafio de fotografar em plano sequencia e manter a qualidade estética certamente foi um exercício homérico. Detalhe a produção é quase toda rodada em tons frios, o que deixa tudo ainda mais mórbido.

A edição é um capitulo a parte, pois Sam Mendes optou por utilizar o audacioso Plano-sequência, ou seja, um filme inteiramente rodado num único plano, sem cortes de edição, pelo menos essa era a ideia, o resultado foi um longa com de três ou quatro planos. Houveram pouquíssimo cortes de edição, quase imperceptíveis, assim o filme é construído de forma sequencial com a câmera acompanhando os personagens, o que fez o trabalho do editor algo extremamente complexo, quase como truques mágicos de edição, coisa que Hitchcock fez com primazia em Festim Diabólico.

A Edição e Mixagem de Som é um dos pontos altos do filme, o som dos passos dos soldados quando tocam o chão molhado das trincheiras ecoam em toda a sala de cinema e o bater das assas dos pombos causam arrepios, tudo muito meticuloso e feito para impressionar, assim como a trilha sonora de Thomas Newman que dá cadencia e ritmo a todo o espetáculo visual.

Enfim, 1917 é uma verdadeira experiência cinematográfica, que nenhum cinéfilo deve perder, nem que seja para falar do roteiro raso e dos personagens unidimensionais, mas o preciosismo técnico já vale o ingresso, ainda mais pelos prováveis prêmios no Oscar de Filme, Direção, Fotografia e Mixagem de Som.

Sobre Edy Cesar 7 artigos
Advogado, fotógrafo e amante da sétima arte. Dentre outras coisas, colabora no Tribuna Universitária com crítica de cinema, fotografia e outros assuntos aleatórios

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