A cobertura do portão do Palácio do Alvorada em questão

Recentemente grandes empresas jornalisticas anunciaram a interrupção da cobertura da entrada e saída de Bolsonaro do Palácio do Alvorada, residência oficial do Presidente da República. A motivação alegada foi a falta de segurança, já que diariamente há uma aglomeração de fãs de Bolsonaro na porta do Alvorada que ultimamente tem sido mais agressivos que o normal contra a imprensa.

Essa agressividade contra a imprensa, canalizada para impedir o trabalho de repórteres que divulgam conteúdo críticos ao governo, não circunscrita ao âmbito das idéias e métodos, é abominável e representa um recrudescimento de práticas fascistas que tem sido comuns atualmente, muitas delas incentivadas pelo comportamento autoritário do Presidente.

Todavia, essa questão da violência contra jornalistas, infelizmente, já tem se tornado comum e o que virou noticia foi o anúncio da interrupção da cobertura. O que nos chama atenção, no entanto, é porque ainda se mantém esse tipo de cobertura que em nada traz de útil para leitores e leitoras dos jornais. Exceto se o público do jornal está interessado em grosserias, discurso de ódio, performances fanáticas e egocêntricas, além de, é óbvio, notícias sobre ataques a jornalistas.

Algumas perguntas poderiam ser levantadas já que o tema está em alta e a primeira delas é: O que essa cobertura evidencia? A segunda poderia ser: Essa cobertura não estaria se tornando uma propaganda gratuita, e reforço, da persona política de Bolsonaro? Uma terceira e última ainda pode ocorrer: Estariam as empresas de mídia que cobrem o portão do Alvorada interessadas em dar publicidade a assuntos de interesse público ou apenas atrás de valiosos clicks oriundos das polêmicas geradas pelo Presidente com suas declarações estapafúrdias?

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