Ao som da corneta militar, apresentam-se os dirigentes do MEC

Militarismo, combate à Paulo Freire e “escola sem partido” orientam os modelos mentais dos novos dirigentes da educação nacional. Na reportagem de estréia, o portal Tribuna Universitária apresenta informações sobre a nova equipe dirigente do MEC sob o governo de Jair Messias Bolsonaro (PSL)

Por Vanessa Bencz, para o Tribuna Universitária

“Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”

Este contundente pensamento é do educador brasileiro Paulo Freire (1921-1997).

Referência mundial em qualidade de ensino, o método de alfabetização disseminado por Paulo Freire anda em baixa. Pelo menos é isso o que parece quando paramos para observar o currículo e a linha de pensamento dos dirigentes que assumiram o Ministério da Educação no dia primeiro de janeiro de 2019.

“Estamos dando efetivamente os primeiros passos em uma jornada cujo objetivo é atender aos anseios da nação brasileira.”

A declaração, carregada com sotaque espanhol, foi feita pelo ministro Ricardo Vélez Rodríguez em seu pronunciamento de posse no Ministério da Educação (MEC), ocorrido em 2 de janeiro. A Tribuna Universitária preparou um material para você, leitor, sobre os dirigentes que assumem secretarias e autarquias responsáveis pela Educação.

Começamos falando de Ricardo Vélez Rodríguez, o novo ministro da educação. Conhecido por exaltar ideais militares e religiosos, o escolhido para encabeçar o MEC no governo Bolsonaro foi indicado por Olavo de Carvalho. Vélez Rodríguez bate continência para as requisições educacionais do presidente Jair Bolsonaro (PSL): a linha de pensamento dos primeiros recrutados ao MEC parece estar em sintonia com a ideia de guerrear contra o “marxismo cultural”.

Quem é quem na equipe

Quem assume a Secretaria Executiva do Ministério MEC é Luiz Antonio Tozi, dono de um currículo extenso, ocupa o segundo cargo mais alto na equipe ministerial. Tozi ostenta em seus diplomas um nome de prestígio. Trata-se do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), unidade de excelência em pesquisa ligada às forças armadas.

Já Mauro Rabelo, que assume a Secretaria de Educação Superior (Sesu), era diretor de Desenvolvimento da Rede de Instituições Federais de Ensino Superior (DIFES) na gestão de Rossieli Soares. Rabelo é formado em matemática e chegou a estudar na Stanford University, nos Estados Unidos.

A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) estará sob o comando de alguém bem conhecido de Ricardo Vélez Rodríguez, novo ministro da educação. Alexsandro Ferreira de Souza, além de ter sido aluno de Vélez Rodríguez, tem diversos pontos em comum de formação e pesquisa com o ministro.

A Secretaria de Regulação do Ensino Superior (Seres) estará sob o comando de Marco Antônio Barroso Faria. O novo secretário, que é ex-aluno do ministro Vélez Rodríguez, foi orientado pelo ministro Vélez no mestrado e doutorado em Ciência da Religião entre 2007 e 2013.

No centro dos holofotes, a Secretaria de Educação Básica terá única mulher da equipe no comando: Tânia Leme de Almeida. Engenheira Civil, ela era professora do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza há nove anos com dedicação exclusiva. Até 2018, ocupava o cargo de diretora da Fatec São Carlos.

De todos os profissionais que começam 2019 liderando secretarias do Ministério da Educação (MEC) do governo de Jair Bolsonaro (PSL), Bernardo Goytacazes de Araújo é o mais jovem convocado – tem 35 anos – e é um dos únicos que já tem experiência como gestor público. Bernardo foi nomeado para a Secretaria de Modalidades Especiais da Educação. Ex-aluno de Vélez Rodríguez, ele é graduado e pós-graduado em filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Já a liderança do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão que coordena o Enem, ficou com alguém que tem muita sintonia com o pensamento de Bolsonaro. Marcus Vinicius Rodrigues, 63 anos, é a nova cabeça do Inep. É importante destacar quem está nos bastidores do Enem a partir de agora. Murilo Resende Ferreira, de 36 anos, auto declarado discípulo de Olavo de Carvalho, tem sido alvo de denúncia de plágio e apontado como agressivo quando o assunto é professores.

Para conhecer o perfil do Secretário Nacional de Alfabetização acesse o texto publicado na coluna de Rafael Pereira quando das especulações de sua nomeação: O fetiche do método: neotecnicismo via youtube.

Militarismo na educação ganha força a partir do MEC

O militarismo é uma tendência do governo Bolsonaro, na educação não seria diferente. Assumindo cargos de liderança e outros auxiliares a comunidade educacional observa a grande a influência dos militares no MEC. Nessa reportagem, dedicamos uma matéria específica que aponta onde estão os militares no primeiro escalão do MEC. Confira!

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