Avaliação educacional pra que?

A Secretaria Estadual de Educação de Santa Catarina anunciou que vai criar uma avaliação própria, para monitorar a qualidade escolar no estado por seus próprios meios. A iniciativa terá como parceiros a União Nacional de Dirigentes Municipais da Educação (UNDIME) e a Federação Catarinense de municípios. Ainda não anunciaram detalhes, apenas anunciaram que vão fazer.

Diante de uma notícia dessa eu fico me perguntando se o papel da avaliação sistêmica que a união, estados e municípios realizam é avaliar a educação e corrigir rumos, como se costuma dizer em documentos oficiais. Também me pergunto porque tanta desconfiança de novos governantes com os atuais sistemas de avaliação, será que os dados existentes e os sistemas existentes não são confiáveis a ponto do estado ter que fazer o seu próprio?

Esse movimento de sistemas próprios de avaliação não é novo. Se procurarmos vamos encontrar vários municípios com suas provinhas e vários estados com seus sistemas, todos tecnicamente parelhos e om o mesmo objetivo que os sistemas nacionais. Em Florianópolis, por exemplo, os estudantes do município fazem, além da prova Brasil, da União, a “prova Floripa”, do município e agora poderão ter que fazer essa “nova”.

Quando eu trabalhava no interior de Minas Gerais eu me incomodava com o fato de termos que organizar a participação da escola no SIMAVE (sistema estadual) e na Prova Brasil (União). Em Belo Horizonte as escolas ainda eram (são) submetidas ao Avalia BH, ou seja, três sistemas de avaliação. Onde está o princípio da economicidade, da eficiência e outros que versam sobre o uso razoável e racional dos recursos públicos, que tanto pregam na administração pública?

Uma rápida consulta ao site do Centro de Políticas Públicas e Avaliação Educacional da Universidade Federal de Juiz de Fora, uma instituição operacionalizadora de sistemas de avaliação, mostra que 8 capitais e 18 Estados tem suas próprias provas. Santa Catarina agora não quer ficar de fora dessa onda!

É de se estranhar também que tenhamos tanta avaliação, tanta prova, local, regional, nacional e internacional e os resultados educacionais, segundo os parâmetros dessa mesma avaliação, não são satisfatórios. A educação pública continua sofrível, sobretudo nos grandes centros urbanos e bolsões de pobreza.

É por essas e também por outras, que eu me questiono se o verdadeiro objetivo dessas avaliações são aqueles anunciados, com as melhores das intenções declaradas. Ou seriam apenas uma forma de induzir e pressionar o sistema para um modelo de educação, justamente esse modelo que temos no Brasil.

Sobre Rafael Pereira 15 artigos
Doutor em Educação na UFPR. Mestre em Métodos e Avaliação (UFSC). Pedagogo (Unicamp). Editor da seção "Opinião" do Tribuna Universitária. Editor da Enunciado Publicações e autor do blogue Lendo o Mundo.

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