Comemorar o Golpe 64 é comemorar a censura! Ditadura nunca mais!

O Presidente Jair Bolsonaro (PSL) determinou que as Forças Armadas fizessem a “devida comemoração” do golpe de Estado, militar-empresarial, dado em 1964, no então governo brasileiro, democraticamente eleito. Essa medida concretiza o início de um dos principais eixos de seu governo: o revisionismo histórico e cultural, cujo pilar “histórico” é reforçar a narrativa de que no Brasil não houve um golpe e uma ditadura militar-empresarial entre 1964 e 1985.

Essa narrativa, antes tratada como discurso absurdo em pronunciamentos de personalidades, ministros e do próprio presidente, ganha nesse momento, um documento oficial, que se faz histórico. Narra uma versão da história e passa a “disputar” em campo oficial as narrativas sobre esse período autoritário.

A declaração assinada pelo Ministro da Defesa e os comandantes das três forças militares brasileiras, assumem responsabilidade sobre o ocorrido e o caráter ditatorial dos governos militares, pois afirmam literalmente que a lei da Anistia “viabilizou a transição para uma democracia…”. Não negam (nem mencionam) a tortura, desaparecimentos e outras atrocidades, apenas afirmam que o fizeram em nome da “liberdade” e por “clamor da ampla maioria da população e da imprensa”.

Esse editorial não tem como objetivo analisar o discurso explícito ou implícito da “nota comemorativa”, empreitada que ficará como desafio aos nossos colunistas e leitores e que teremos muito prazer em publicar. Nosso objetivo é marcar uma posição muito bem definida sobre esse fato histórico e repudiar o que pode ser o início de um processo que nos levará ao despotismo em futuro próximo.

O candidato, e agora seu governo, vem praticando discursos autorizativos cujas consequências tem sido um crescente clima de perseguição e violência, principalmente contra sujeitos que representam símbolos contrários às narrativas bolsonaristas, como mulheres, feministas, LGBT, negros, professores e universitários. A imprensa também tem sido alvo do governo desde sua posse.

O Tribuna Universitária se posiciona no campo de uma nova imprensa independente, cujo compromisso com a democracia e com a liberdade irrestrita de produzir e analisar informação, produzir e proporcionar produção de conhecimento, não se dá apenas no campo discursivo. Por isso, não podemos deixar de registrar e repudiar veementemente esse ato que visa comemorar uma das vergonhas da história brasileira. As forças armadas do país se viram contra seu povo, principalmente contra sua juventude, construiu moinhos de vento e em nome de lutar contra eles, se instalou ilegitimamente no poder por 21 anos, torturou, matou e censurou.

A nossa existência, enquanto portal e em breve como jornal impresso, é um ato em defesa da democracia. No dia em que chegamos a 3 meses de vida, com mais de 35 mil visualizações, nos colocamos do lado da história que não tem medo de dizer, diz e continuará dizendo: Foi golpe! Foi Ditatura! A terra é redonda!

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