Discípulo de Veléz assumirá Secretaria Profissional e Tecnológica

Por Vanessa Bencz, para o Tribuna Universitária

A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) estará sob o comando de alguém bem conhecido de Ricardo Vélez Rodríguez, novo ministro da educação. Alexsandro Ferreira de Souza, além de ter sido aluno de Vélez Rodríguez, tem diversos pontos em comum de formação e pesquisa com o ministro.

Conforme Vélez Rodríguez esclareceu em seu discurso de posse como ministro, “para educação profissionalizante e tecnológica, serão fomentadas políticas que integrem ensino, ciência e tecnologia para que efetivamente nossos estudantes possam desenvolver suas respectivas capacidades empreendedoras”. E, de acordo com o portal do MEC, configura-se educação profissional e tecnológica “cursos de qualificação, habilitações técnica e tecnológicas, e cursos de pós-graduação, organizados de forma a propiciar o aproveitamento contínuo e articulado dos estudos.”

Por ser responsável pela qualidade e organização da oferta na área educacional, atua em colaboração com os outros sistemas de ensino. Será esperado da Setec também a responsabilidade de incorporar e utilizar inovações científico-tecnológicas nas salas de aula, para que os estudantes possam “atuar de modo eficaz no mercado de trabalho”. Cabe a Souza elaborar, melhorar e controlar políticas para esse segmento junto com sua equipe.

O que consta em sua trajetória?

Até assumir o cargo no MEC, Souza trabalhava como professor da rede pública do Espírito Santo. É pós-graduado em filosofia pela Universidade Federal de Juíz de Fora (UFJF), onde ajudou a fundar o Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos, atuando como vice-líder do grupo.

O núcleo, que foi criado em 2003 pelo ministro Vélez Rodríguez no departamento de Filosofia da UFJF, surgiu como uma necessidade dos universitários. Em um relato publicado em primeira pessoa por Vélez Rodríguez no site da UFJF, ele conta que o núcleo surgiu em decorrência do interesse de estudantes do curso de filosofia pelo estudo do pensamento filosófico brasileiro, bem como do pensamento ibérico e ibero-americano, de forma geral. “Considerei que a preocupação dos meus alunos com o estudo da filosofia brasileira estava fora de contexto, depois dos affaires de patrulhamento ideológico que tinham sido protagonizados, entre 1975 e 1985, pelo padre Henrique Cláudio de Lima Vaz e seus discípulos da Universidade Federal de Minas Gerais e da Faculdade de Filosofia dos Jesuítas em Belo Horizonte, que tinham tomado conta da comissão de filosofia da CAPES”, explica no documento.

Em seguida, o autor afirma que seus alunos não estavam preocupados com o “desânimo reinante” em face das condições negativas para o estudo da filosofia brasileira. “Queriam saber, mesmo, o que havia para ser estudado nessa seara e desejavam enveredar pelo caminho da pesquisa”.

Souza realmente seguiu os passos de seu orientador: além de filósofo, o novo secretário da Setec possui especialização, mestrado e doutorado em Ciência da Religião, todos os diplomas carimbados pela UFJF.

Essa matéria faz parte da reportagem de estréia do portal Tribuna Universitária sobre os novos dirigentes do Ministério da Educação sob o governo de Jair Messias Bolsonaro. Confira outras matérias sobre o assunto:

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