Eleições 2020: A direita tradicional saiu mais forte

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Os resultados das eleições 2020 mostram que os partidos: MDB, DEM, PSD, PP, PSDB controlarão a maioria das prefeituras nos próximos 4 anos. Mas a história mostra que a relação entre vitória quantitativa no pleito municipal e bom desempenho na eleição nacional não é automática.

Em 1989, os partidos da direita tradicional controlavam 80% das prefeituras, mas ficaram de fora do 2º turno presidencial. Collor tinha 0,1% das prefeituras e Lula, em chapa com o PSB, tinha 1,8% das prefeituras. Em terceiro, Brizola e seu PDT tinha 4,5% dos prefeitos.

Em 2018, O PSL de Bolsonaro tinha 0,5% das prefeituras, enquanto o PT de Haddad tinha 5%. Eles foram para o 2º turno deixando para trás todos os partidos da direita tradicional que saíram vitoriosos do pleito de 2016.

“Ah, mas as eleições de 1989 e 2018 foram atípicas”. Será? Em 2000, o PT conquista 3% das prefeituras. Em 2002, sua chapa com o PL tem 7,5% das prefeituras. A chapa de Serra (PSDB e PMDB) tinha 40% das prefeituras. Em 2004, o PT tem 7% das prefeituras. O vice Zé Alencar vai para o PRB, sem prefeituras. Alckmin com PSDB e PFL tinha 30%.

Em resumo: em 1989, 2002, 2006 e 2018 ter muitas prefeituras não se traduziu em vitória presidencial. A correspondência positiva entre eleição municipal se manifestou em 1994 e 1998 (PSDB e PFL controlavam 40% das cidades) e 2010 e 2014, com a aliança PT e PMDBE 2020/2022?

A direita tradicional vitoriosa em 20 tem muitos problemas a resolver até 2022. Parte do eleitorado de direita irá com Bolsonaro. Quanto disso? Não sabemos ainda. Mas a direita tradicional ajuda o presidente quando se confunde com o governo na defesa das “reformas estruturais”.

O problema de nomes para 2022 expressa um dilema programático desse campo: qual é sua visão de país? Em que é diferente de Bolsonaro? Até aqui, no parlamento, na economia, na segurança, na política social, em nada. Como então convencer o eleitor de direita a largar o presidente?

Sobre Josué Medeiros 4 artigos
Professor do Dep. de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutor em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com doutorado-sanduíche na Universidade de Paris 3, no Institut des Hautes Etudes de l'Amérique Latine (IHEAL). Realizou pós-doutorado em Ciência Política na Universidade de São Paulo (USP). É coordenador do Núcleo de Estudos sobre a Democracia Brasileira (NUDEB) na UFRJ. Estuda a democracia no Brasil e na América Latina. Colabora com o portal Tribuna Universitária na Colunas Conjuntura.

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