Em defesa da ciência

Encontro entre dirigentes de instituições com 20 parlamentares foi realizado na Sala de Sessões da Reitoria Foca Lisboa | UFMG

Conteúdo: Boletim UFMG

Dirigentes universitários, pesquisadores e parlamentares debatem estratégias para garantir o financiamento da pesquisa

A UFMG promoveu, no último dia 8, um encontro entre dirigentes de entidades e instituições de ciência, tecnologia e inovação de Minas Gerais e 20 parlamentares – um senador, cinco deputados federais, nove deputados estaduais e cinco vereadores. O objetivo, segundo a reitora Sandra Regina Goulart Almeida, “foi sensibilizar os parlamentares sobre a importância de investir no setor como solução para a própria crise financeira do Estado”.

“Os parlamentares são nossos aliados e queremos sensibilizá-los sobre os riscos dos cortes financeiros, porque diminuem as chances de o próprio Estado sair dessa crise. Os cortes que atingiram a Fapemig nos preocupam, pois impactam diretamente a UFMG, com redução de R$ 2,5 milhões por ano para bolsas de iniciação científica e R$ 13 milhões em projetos de pesquisa”, informou a reitora.

Para o presidente interino da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), professor Paulo Beirão, “a iniciativa da UFMG de pôr o problema em discussão foi excelente, porque não estamos discutindo apenas a situação financeira da Fapemig, mas tratando do futuro do país e de um modelo de desenvolvimento econômico que não se deve prender a commodities, mas encontrar novos modelos, baseados na ciência e na tecnologia”.

O reitor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e presidente do Fórum das Instituições Públicas de Ensino Superior de Minas Gerais (Foripes), Valder Steffen Júnior, destacou que os cortes de recursos na educação não se restringem a Minas Gerais e alcançam todo o país, especialmente após anúncio do contingenciamento de 47% no orçamento anual do CNPq. “Esses cortes afetam o que temos de mais precioso, a iniciação científica (PBIC Júnior). As bolsas são de apenas R$ 100, mas ajudam a formar as novas gerações de pesquisadores”, afirmou.

Para a secretária regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Adelina Reis, “nunca houve tempos tão difíceis” para a educação, ciência e tecnologia. “Vivemos um desmonte. Com o corte de 47% do CNPq e a ausência de editais para financiamento da pesquisa, não haverá recursos para manutenção da estrutura e funcionamento de equipamentos para pesquisas”, lamentou. Adelina Reis afirmou que “os recursos são tão inexpressivos em relação à Lei Orçamentária que não chegam a R$ 15 mil por ano, por pesquisador e seus bolsistas. Por isso, deveríamos aumentá-los, e não cortá-los. Essa parceria com os parlamentares é fundamental”, defendeu.

“Vivemos um desmonte. Com o corte de 47% do CNPq e a ausência de editais para financiamento da pesquisa, não haverá recursos para manutenção da estrutura e funcionamento de equipamentos para pesquisas”

Adelina Reis, Secretária regional da SBPC

A Universidade Federal de Itajubá, com seis mil alunos no campus de Itajubá e quatro mil em Itabira, é, segundo seu vice-reitor, Marcel Fernandes da Costa Parentoni, exemplo de como a presença da universidade é fundamental para a renda de alguns municípios. “A Unifei é responsável por 5% do PIB de Itajubá. Com a crise da mineração, a necessidade de diversificar o modelo econômico fica mais evidente”, observou.

Soluções

O senador Carlos Viana (PSD), que integra a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, disse que sua grande preocupação diante do cenário atual “é não retroceder na área, para não afetar a formação dos estudantes”. Na sua avaliação, “o Brasil investe muito em educação, porque 16% do PIB não é pouco”. Diante dos cortes anunciados, ele afirmou que é necessário otimizar os recursos e entender onde e de que forma estão sendo aplicados. “Fiz especialização na Faculdade de Ciências Econômicas e vi o quanto a universidade tem capacidade de planejar e fazer pesquisa, por isso acredito que a própria instituição possa nos ajudar a entender como aplicar esses recursos”, afirmou.

A deputada federal Margarida Salomão (PT) avaliou como “preocupantes os cortes de recursos para o setor, que vêm ocorrendo desde a PEC 95/2015”. Ela anunciou o relançamento da Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Federais, no dia 24 de abril. “Precisamos buscar soluções para essa situação inadmissível, que impede as universidades públicas de cumprir sua missão”, afirmou ela, que foi reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora.

“Precisamos buscar soluções para essa situação inadmissível, que impede as universidades públicas de cumprir sua missão”

Margarida Salomão, Ex-Reitora da UFJF e atualmente Dep. Federal (PT/MG)

A presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia de Minas, deputada Beatriz Cerqueira (PT), qualificou o encontro promovido pela UFMG como um “debate dos mais estratégicos para a sociedade”. Ela propôs uma campanha popular de valorização das ciências, com o objetivo de mostrar à sociedade como o corte de recursos afetará diretamente a vida cotidiana.

[Versão ampliada desta matéria foi publicada no Portal UFMG, em 8/4/2019]

Parlamentares presentes

Senador 
Carlos Viana (PSD);
Deputados federais
Eduardo Barbosa (PSDB), Fábio Ramalho (MDB), Margarida Salomão (PT), Reginaldo Lopes (PT) e Rogério Correia (PT)
Deputados estaduais
Ana Paula Siqueira (Rede), Beatriz Cerqueira (PT), Betinho Pinto Coelho (Solidariedade), Cleiton Oliveira (DC), Coronel Henrique (PSL), Jean Freire (PT), João Leite (PSDB), Marília Campos (PT) e Wendel Mesquita (Solidariedade)
Vereadores de Belo Horizonte
Arnaldo Godoy (PT), Bella Gonçalves (PSOL), Cida Falabella (PSOL), Gilson Reis (PCdoB) e Pedro Patrus (PT)

(Teresa Sanches)

Matéria completa publicada no Portal da UFMG

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