Em defesa da liberdade de imprensa e da democratização das comunicações

Já faz um tempo que as agressões a jornalistas em exercício de seu ofício está nos noticiários de forma recorrente. É possível perceber alguns argumentos em que os agressores se arvoram o direito de livre opinião para se expressar de forma esdrúxula e violenta diante de uma equipe de reportagem, o que seria até aceitável, se ficasse restrito às palavras de ordem e à crítica política à grande mídia, por exemplo. Porém não é o caso. Eles querem o “direito” de agredir livremente, agressões físicas e depredação de equipamentos. Atos realizados, muitas vezes, contra trabalhadores assalariados tão explorados e precarizados, ou até mais, que qualquer trabalhador assalariado no Brasil.

Essa situação pode até agradar alguns críticos da imprensa corporativa, da grande mídia, ou mídia golpista, para alguns, quando a a violência ocorre com equipes desses grupos empresariais. Porém o trabalhador e a trabalhadora, nada tem a ver com isso, apenas está ali, fazendo seu trabalho para produzir sua existência e, muitas vezes, de sua família. Além da dimensão individual, do repórter que não merece responder pelos erros de seus patrões, há uma dimensão política que torna a situação mais grave.

A imprensa livre é um dos pilares de uma sociedade democrática e a sua liberdade não está apenas no fato do governo não fechar redações ou praticar censura formal, mas também no fato de a sociedade civil garantir e se valer do exercício da liberdade de imprensa para conhecer a realidade e formar seu pensamento livremente. Quando um grupo social ataca a imprensa de forma recorrente e seu líder não os repreende e até demonstra concordar, a democracia começa a ser corroída e o sinal amarelo do autoritarismo acende em alerta. A que sociedade interessa uma imprensa que não pode atuar livre e plenamente? Apenas sociedades que querem esconder e manipular.

Em tempos de fake news como arma política, a imprensa profissional, livre e autônoma são essenciais para garantir as informações objetivamente produzidas e veiculadas, assim como a checagem de tudo isso. Em último caso, garantir que a sociedade possa ter acesso a todas as informações existentes, várias interpretações possíveis, e formar seu pensamento livremente, sem manipulação. A contradição é que são aqueles que gritam contra uma suposta doutrinação, a favor da liberdade, que violentam e impendem o trabalho da imprensa.

O momento que vivemos é sério e exige atenção, pois chegamos a esse ponto também porque a grande mídia no Brasil esteve sempre comprometida com o poder das elites patrimonialistas e privilegiadas. Com seus megafones, prensas e câmeras, a mídia tradicional e concentrada, criou fantasmas que agora os assombram e monstros que agora os atacam. A democratização das comunicações não é pilar menor de uma sociedade democrática, que a liberdade de imprensa, tendo ambas que andar juntas.

Impedir o ofício dos trabalhadores e trabalhadoras da imprensa, sejam eles empregados e empregadas de que empresa for, é inadmissível, autoritário, uma prática fascista que deve gerar reação das forças democráticas oficiais do Estado de direito porém, esse editorial não pode dizer apenas isso.

É preciso democratizar a comunicação! A internet e as mídias sociais são um fenômeno social muito relevante que deram oportunidade para qualquer um falar e produzir informação a partir de sua perspectiva, assim como abriu espaço também para uma espécie de enxurrada de informações manipuladas e noticias falsas, construção de bolhas cibernéticas construídas por robos manipulados por inteligência artificial que manipulam a sociedade.

Mas não é só na internet que se faz comunicação, imprensa e jornalismo. É preciso abrir canais de TV e rádios para todos os grupos sociais, afinal, que mal há em mais informação? A quem interessa controlar a informação e as diversas leituras de mundo?

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