Estudante denuncia censura na TV do Instituto Nacional de Educação de Surdos

Após controvésia na indicação do segundo colocado na eleição para Diretor-Geral, o Instituto Nacional de Educação de Surdos, INES, está novamente em meio a uma polêmica. A estudante Dandara Ribeiro, representante dos alunos, denunciou nas redes sociais a censura na TV do instituto.

Segundo o texto que está circulando nas redes sociais, a TV INES, canal institucional de vídeos na internet e via satélite, teve alguns vídeos retirados do ar. Em conversa com a redação do Tribuna Universitária, a estudante demonstrou preocupação com o acesso da comunidade surda ao conhecimento disponibilizado por esses vídeos que, segundo ela, podem ser o único contato de muitos surdos com esses conteúdos.

(…) para eles [surdos], equivale a queima de livros! 92% da população surda não está ou nunca esteve na escola. Apagar esse conteúdo pode ter sido tirar toda informação para a comunidade surda sobre alguns autores

Dandara Ribeiro
Reprodução da busca no site da TV INES

O alerta foi dado ao procurar, e não encontrar, um vídeo do deputado Jean Wyllys no programa Café com pimenta. Foi então que, professores e alunos buscaram outros vídeos deram falta de alguns outros. Por exemplo, verbetes que o MEC poderia considerar “de esquerda”, como feminismo, também não estavam mais sendo encontrados.

A estudante informou que a Direção do INES e da TV ainda não deram respostas aos seus questionamentos.

Nossa redação entrou em contato com a direção do instituto e com a TV INES antes de publicar essa notícia, porém, no momento do contato com o INES não havia quem pudesse fazer uma declaração. A direção da TV não respondeu até o fechamento dessa notícia.

Edição (30/01/2019 – 21h00): A Direção do INES e a assessoria de imprensa da TV INES responderam e-mail da redação do portal Tribuna Universitária com a posição institucional sobre a denúncia. A posição do MEC, do INES e da TV estão noticiadas aqui.

Abaixo, reproduzimos a denúncia.

 ******DENÚNCIA DE CENSURA******
Como meus amigos bem sabem, sou estudante de Pedagogia no Instituto Nacional de Educação de Surdos. No final do ano passado tivemos nossa campanha e eleição para a direção geral do Instituto. Enviamos a lista tríplice para o MEC e o ministro da educação, o Sr. Ricardo Vélez Rodríguez, não nomeou o nome da chapa mais votada. O segundo lugar, mesmo tendo se comprometido em não assumir caso ñ tivesse maioria de votos por respeitar a democracia, de bom grado aceitou o cargo para o qual não foi eleito.
Pois bem, essa nem é a pior parte...
Na atual situação política do país, a qual nosso "atual diretor" concorda, descobrimos hoje que já estamos sofrendo censura.
O INES, em parceria com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, produzem e reproduzem programas para a TV INES. Uma webtv que disponibiliza uma programação diversa e de ótima qualidade em língua brasileira de sinais com legenda e locução.
Com a notícia do exílio de Jean Wyllys uma de nossas professoras se lembrou que ele já esteve em um programa de entrevistas para a TV INES e para sua surpresa, e de todos nós, descobriu que o programa estava indisponível.
Começamos uma busca por conteúdos e descobrimos que muitos episódios do programa Manuário, que fala da vida e obra de teóricos conceituados no mundo todo, foram RETIRADOS DA GRADE.
Os conteúdos que demos falta (só desse programa) até o momento foram: 
Karl Marx 
Friedrich Engels 
Gilles Deleuze
Marcel Mauss
Boaventura de Sousa Santos
Friedrich Nietzche
Antonio Gramsci
Jean-Jacques Rousseau
Félix Guattari
Émile Durkheim
Walter Benjamin
Theodor W. Adorno
Marilena Chauí
Além da estrevista de Jean Wyllys no programa Café com Pimenta.
Vejam bem, sequer estou entrando no mérito de discutir as produções desses intelectuais, mas retirar um conteúdo que, por vezes, pode ser a única fonte de conhecimento que acesse diretamente a população surda em sua língua materna é algo tão grave que eu mal consigo mensurar. 
Negar acesso a determinadas informações para apenas permitir acesso informações de um viés específico tem nome, se chama CENSURA!
Além do desrespeito com os surdos que pensaram e produziram o conteúdo divulgado.
Como educadora, cidadã, estudante e representante eleita dos alunos do Instituto no Conselho Diretor 
eu exijo respostas!

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