Festival de cinema em Florianópolis: FAM proporciona encontros

FAM proporciona encontro
Foto: Divulgação do FAM

O Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM movimentou a capital catarinense nos últimos dias. A dimensão cultural do festival é um verdadeiro mergulho nas produções cinematográficas, de boa parte do continente sul-americano.

Um intercâmbio de narrativas, onde todos os tipos e aspectos do cinema e da criação se pluralizam.

Nessa perspectiva de explorar as particularidades dessa cena, realizamos durante o Fórum Audiovisual do Mercosul – criado para discutir políticas para o desenvolvimento do setor nos países que constituem o bloco – uma série de entrevistas com diretores e participantes.

Essa matéria, que se complementa a “Relatos de diretores latino-americanos sobre o FAM 2019“, quer saber como tem sido na prática, de dentro para fora, por trás das telas e nas conversas de corredores.

Ao final da primeira entrevista, o participante indicou um contato que tinham feito no festival, para que a visão pudesse ser ampliada e a conversa também. Foi assim que, chegamos no Juan Iván Molina Velásquez, sociólogo, boliviano, produtor, docente e assessor de projetos de cinema e audiovisual, por indicação do diretor Felipe Nepomuceno.

Tribuna Universitária: Diga-nos, como é esse mergulho nas experiências interculturais do cinema, que o FAM proporciona?

Juan Iván Molina Velásquez: A experiência no festival tem sido muito boa. Ainda mais, porque esse é um festival intimista, onde podemos interagir com as pessoas o tempo todo e trocar ideias. De uma maneira bastante natural.

Posso dizer que, me sinto mais à vontade em eventos como esses, do que em festivais maiores. Para mim, isso é sempre o mais importante. Os debates, as experiências me fazem perceber os diferentes pontos de vistas e enfoques de cada um.
E sobretudo, é rico poder escutar outras opiniões sobre cinema, audiovisual e o que estão produzindo. É uma oportunidade para conhecer o que cada um trás em sua bagagem de trabalho e o que carregam de conhecimento consigo.

Tribuna Universitária: E as co-produções cinematográficas no Mercosul?

Juan Iván Molina Velásquez: Digamos que a co-produção é a forma concreta de representar esse intercâmbio. Para se fazer visível essa combinação de pontos de vistas, precisamos fazer mais coisas juntos.
Sejam entre dois ou mais países. Acho significativo desenvolver um diálogo entre partes desse continente tão diverso, para que possamos nos fortalecer.

“E que seja possível encontrar uma unidade nesta diversidade – isso sim parece uma coisa super linda!”

Juan Iván Molina Velásquez

Tribuna Universitária: Onde, como e quando você assiste filmes latino americanos?

Juan Iván Molina Velásquez: No meu país é complicado assistir esses tipos de filmes. Então, só nos festivais de cinema posso me cercar dessas películas. E o mais paradoxal disso, é que não tenho acesso as produções que estão mais perto de mim. Então, pensar isso pode ser um pouco triste. Afinal, deveríamos ser nós os latinos, os primeiros a ver nosso próprio cinema. Em geral, são mostras específicas que me permitem vê-las.

Tribuna Universitária: Se tivesse que resumir o sentimento de exibir El Río no FAM?

Juan Iván Molina Velásquez: É incrível poder exibir El Río aqui em Florianópolis, porque a verdade é que não havia nenhum outro ponto de vista de distribuição para nós além desse. Por isso, é uma grande oportunidade ter esse espaço com uma sala de qualidade e em boas condições. Sobretudo, permitindo que pessoas de outros países acessem o imaginário da Bolívia, que é um país tão próximo ao Brasil.

Tribuna Universitária: O Festival proporciona intercâmbio entre os participantes?

Juan Iván Molina Velásquez: Sim. Tenho conhecido muitas pessoas interessantes nesses dias aqui. Além de poder encontrar amigos que não via a muito tempo. Tem sido muito lindo.

Esses encontros, questionam como as dimensões culturais se aplicam à vida real. O FAM e sua véia multicultural se propõe a estudar e melhorar o processo colaborativo de pré-produção de roteiristas e outros membros de equipes envolvidos no cinema.

De qualquer forma, é quase impossível discutir completamente as possibilidades e ramificações desse roteiro cultural do cinema numa matéria. Então, conforme indicado acima, a pretensão dessa série de relatos
de roteiristas, diretores, produtores e comunidade latina foi apenas o de fornecer uma visão particular desse cenário.

Quer saber mais dos bastidores do FAM 2019? Leia aqui na Tribuna Universitária a continuação em Por trás da tela: cinema no Mercosul.

Sobre Juliana Polippo 6 artigos
Brasileira, graduada em 'Produção Multimídia' pela Universidade Santa Cecília em Santos/SP, com especialização em 'Fotografia: Práxis e Discurso Fotográfico' pela Universidade Estadual de Londrina. É pesquisadora do programa de mestrado em 'Multimédia' da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.  

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