Geopolítica: 5G e os Guerrilheiros Digitais

Por Nuno Nunes.

Obama pediu à China que adiasse seus planos de expansão tecnológica como diminuição da emissão de Dióxido de Carbono. Trump tenta pedir que a China adie seus planos de cidades tecnológicas menos poluentes. Bolsonaro coloca o Brasil nas mãos dos EUA sem falar aos brasileiros que, na realidade, vendeu nossas esquinas e cidades para a atrasada indústria norte americana que perdeu para a China a corrida pelo 5G. O que será do Brasil? Será parte do Ocidente Analógico com EUA e Reino Unido.

Legado de Obama a Trump

Em 2009 o presidente dos EUA, Barack Obama, viajou com urgência após a posse para visitar a China e falar com o presidente chinês sobre o futuro. Hu Jintao havia defendido na ONU que iriam compensar a emissão de dióxido de carbono com a ampliação de consumo de Energia Solar, fabricando placas solares baratas para todo o mundo. Obama viu o chão abrir sob seus pés sujo de petróleo e sua queda como presidente se não agisse rápido.

Imagine a China produzindo placas solares e vendendo pelo mundo a preços muito baratos? Casas teriam telhado solar desde a linha do equador até os polos sul e norte. Carros carregariam placas para energizarem motores elétricos e seria o fim da era do petróleo. Obama não quis ser o homem que mudou o mundo e interferiu para que Hu Jintao adiasse seus planos. Os chineses então realinharam suas metas para outra tecnologia, a da comunicação.

Em 2017 Obama entregou seu cargo para Donald Trump que, desde a campanha eleitoral, já atacava a China. Trump continuou, agora promovendo Guerra Mundial Virtual do Ocidente contra o Oriente, construindo muros digitais para evitar o avanço chinês e, principalmente, buscando apoio das Forças Armadas de países, como o Brasil, Argentina, Chile Peru e Colômbia, que mal entendem o que está em jogo.

5G: a Geopolítica em velocidade 5

Você sabe o que é o 5G? Certamente seu celular e sua TV Smart funcionam com 4G, ou 3G. Mas em breve não apenas estes eletrônicos, mas sua casa, seu carro e sua vida, funcionarão com 5G.

A tecnologia de comunicação 1G, primeira geração, começou a ser instalada na década de 1980, e transmitia apenas a voz, com aparelhos telefônicos grandes, analógicos, e antenas distantes uma da outra

A evolução para a segunda geração, 2G, foi na década de 1990, com a popularização de telefones digitais, crescimento de número de antenas que ficaram quilômetros mais próximas

A revolução trazida pelo mundo digital ao substituir o analógico foi tamanha que ganhou as ruas e nossas casas, devido à diminuição do tamanho dos aparelhos digitais.

Na década de 2000 surgiu, assim, a tecnologia de terceira geração, o 3G. As antenas diminuíram de tamanho e passaram a ser instaladas sobre prédios ocupando o espaço de um bairro.

A tecnologia 4G, a quarta geração, surgiu na década de 2010, facilitando a transmissão de dados em banda larga em alta velocidade. As antenas ficaram mais próximas, ocupando ao invés de bairros, quadras. Uma rede de pequenas antenas formou avenidas virtuais sem engarrafamentos de dados.

Chegando em 2020, temos a quinta geração, ou 5G. E junto dela veio o que podemos chamar de guerrilha digital. O 5G luta para estar presente com suas antenas receptoras e transmissoras em cada esquina, com poucos metros de distância entre uma e outra, ampliando robustamente de avenidas onde dados circulam para a onipresença de dados por todo lado.

O 5G está em jogo no mundo todo e não pense que são dois lutadores, um cada lado, tentando vencer a luta. Quando falamos em 5G temos que pensar numa Guerra Mundial Virtual onde os soldados agem como Guerrilheiros Digitais que buscam ocupar e defender cada esquina das cidades do planeta.

A China já venceu a Guerra Mundial Virtual

Quando Obama pediu para Hu Jintao adiar seus planos de Energia Solar, os EUA estavam tentando concluir o Projeto Guerra nas Estrelas, de Ronald Reagan em 1983. Trump logo que assumiu anunciou o lançamento das Forças Espaciais, que são a conclusão do que começou na década de 1980, para liberar recursos para o “Projeto Guerra nas Esquinas”.

Enquanto os EUA olhavam para o céu, os chineses procuravam facilitar a fabricação de tecnologias e qualificar sua indústria e melhorar a vida dos cidadãos chineses. Hoje a China já possui projetos de cidades digitais, que será completado com a quinta geração de comunicação, o 5G. Afinal de contas, os chineses são comunistas e pensam no melhor para o povo, não apenas para alguns. Este paradigma é oposto aos dos EUA que, em plena era de cidades digitais, Trump anuncia a criação de muros entre países

Porém, o que está sendo tentado por Trump e suas Forças Armadas é, mais uma vez, fazer a China adiar seus planos. Mas para os chineses isto não é mais possível, pois sua população precisa de melhoria na qualidade de vida e de cidades inteligentes. E estão com toda tecnologia pronta para isso. Os EUA está pronto apenas para uma guerra no espaço, e recebeu apoio do Brasil que doou a Base de Alcântara no Maranhão, para servir os desejos militares estadunidenses.

A China, enquanto isso, produz tecnologia e equipamentos de comunicação baratos e ocupam com suas antenas guerrilheiras, esquina por esquina, adaptando nossas cidades tradicionais para cidades digitais. Não há como frear isso. Ou há?

Oriente Digital e Ocidente Analógico

Por vezes os planos das elites ocidentais, que incluem famílias de banqueiros dos EUA, Europa, América Latina, lançam mão de tragédias contra a população pobre. Criam inimigos fantasmas para colocar em marcha planos de ataque que, na verdade, ao final demonstram que o verdadeiro inimigo era o povo.

Foi assim com Hitler que acusou os Judeus. Com os EUA que acusaram os Soviéticos. Com o Brasil que acusou os Comunistas. Com a OTAN (EUA e Europa) que acusaram os Terroristas.

Atualmente a ideia de inimigo é tão insana quanto a mente de seus criadores. Olavo de Carvalho e seus comparsas acusam o “Marxismo Cultural” (?!) e “Petistas Corruptos” (?!), e apontam que há uma tentativa de dominação do Ocidente vinda do Oriente, mais precisamente, China e Rússia.

Bem, agora já sabemos mais motivos que Trump, Bolsonaro, Olavo de Carvalho, Steve Bannon e outros, querem implementar a ideia do inimigo chinês, tentar enfraquecer os acordos internacionais para evitar as mudanças climáticas, e criar muralhas entre nações. Fazem isso pois não são líderes de seus povos, e sim porta-vozes da fraca indústria de tecnologia ocidental que é dependentes das fortes fábricas da China que, valentemente, conquistam esquina por esquina do planeta nesta Guerra Mundial Virtual.

Sobre Nuno Nunes 18 artigos
Filósofo, Escritor e Mestre em Educação e Comunicação pela UFSC, Doutorando em Planejamento pela UDESC. É colunista de geopolítica do portal Tribuna Universitária

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