Geopolítica: a vingança de Confúcio e os novos Soberanos

Por Nuno Nunes

Dois blocos econômicos vinham se formando no planeta Terra após a extinção da União Soviética e o fim da Guerra Fria em 1991, com a ascensão da China tecnológica. Em 2001 os EUA tentaram retomar sua maquinaria de guerra permanente com o falso ataque às Torres Gêmeas, instaurando o inimigo invisível chamado de “Terrorista” que finalizou em 2011. Em 2017 Donald Trump assumiu o poder do decadente império com o lema de fazer a América grande novamente via comércio e acordos bilaterais. Seria possível Trump fechar acordo com a maquinaria de guerra dos EUA e manter sua Soberania? E a Soberania dos demais países? E o Coronavirus forçando o fechamento das fronteiras? Está confuso? Vejamos o que nos ensina Confúcio, o pensador mais seguido na humanidade.

O velho Soberano

A indústria da guerra dos EUA sempre dependeu de inimigos externos para manter suas vendas de armas para a União e, para isso, ela financia campanhas eleitorais de 4 em 4 anos para eleger seus lobistas pró-guerras. Ela também derruba governos em países que não se alinhem a seus interesses, isto é, os que preferem a paz. O Conselho de Segurança das Nações Unidas era o único poder moderador diante da insanidade do Estado Profundo dos EUA (Deep State – que une Forças Armadas, CIA, FBI, NSA, GAFAMT e Wall Street), como é chamada a maquinaria de guerra estadunidense. O Conselho de Segurança foi criado pela ONU em 1945 com a missão de instaurar a paz no pós-Guerra, foi composto por cinco países, sendo pelo lado Ocidental EUA, Reino Unido e França, e pelo lado Oriental por China e Rússia. Porém, com o uso da maquinaria de guerra dos EUA, o lado ocidental do Conselho serviu para a instauração dos EUA como policia do mundo e a Pax-americana, colocando o Dólar como moeda que financiou a reconstrução de muitos países e, ao mesmo tempo, endividou muitas nações.

A origem da palavra PAZ é PAGAR. Isto é, só há paz se o devedor pagar sua dívida ao credor. Durante a Pax-romana (28 a.C a 180 d.C), Roma garantia os pagamentos de impostos pelas colônias ameaçando com seu monstruoso exército, até que foi derrubada pela sua própria grandeza e má administração, que gerou rebeliões internas e abriu flancos para ataques externos. As Pax-americana, por sua vez, durou de 1945 a 2015 e funcionou com o alinhamento do governo dos EUA e seu Deep-state, fingindo manter a democracia que, na realidade, era um governo tirânico, militarizado e paranoico, alternado entre Democratas e Republicanos.

Como funcionava a Pax-americana? Simples de entender. Lembre dos filmes estadunidenses onde o mafioso violento da cidade invade com sua milícia armada um restaurante e cobra do dono o pagamento pela manutenção da segurança no bairro. O famoso “me pague para eu não te bater”. O proprietário do restaurante não é soberano dentro de seu estabelecimento, mas subordinado aos milicianos e tem de pagar ou sofre as penalidades da máfia: a morte. Quem é o soberano neste caso? É aquele que está por cima, SOBRE os demais (do latim, super). Os EUA durante 70 anos foram o soberano no planeta, até que começaram a ruir por não terem mais inimigos para atacar. Com a crise de 2008, os recursos da impressão de dólar foram direcionados para pagar os Bancos e gerar créditos para permitir que o povo pudesse pagar seus empréstimos e refinanciar suas moradias, com o estouro da bolha imobiliária.

O Deep-state estava faminto e queria atacar o inimigo invisível, mas Obama tentou acabar com a Guerra ao Terror em 2011 quando inventaram o assassinato de Osama Bin Laden no Paquistão. Eis que em 2014 surgiu o novo inimigo: Estado Islâmico. A lógica é simples. Quanto mais armas e bombas arremessadas, mais dólar para a maquinaria da guerra produzir e renovar o estoque, distribuir dinheiro para os Generais, Políticos, Empresários da guerra e para a indústria do Petróleo, pois sem combustível não se ataca o inimigo.

Cansados de obedecer aos ocidentais e terem suas soberanias ameaçadas, Rússia e China buscaram formar um bloco político no oriente, com ações coordenadas de comércio e proteção. Enquanto Barack Obama assumia o poder dos EUA em 2009, Rússia, China e Índia formaram uma coalizão, convidando o Brasil que foi o único país do Continente Americano como membro. Em 2010 incluíram a África do Sul e o bloco passou a mudar a geopolítica do planeta, com ações coordenadas nos mares do Atlântico Sul (Brasil e África do Sul), Oceano Índico (África do Sul e Índia) e no Pacífico (Rússia e China).

Países membros dos BRICS

A parceria econômica entre os BRICS foi selada em 2015 com a fundação de um Banco de Desenvolvimento em que cada país membro tem 20%, e serve para financiá-los sem que dependam unicamente do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, que foram criados e controlados pelos EUA após a Segunda Guerra Mundial em 1944 até hoje. Junto ao Banco dos BRICS, a China havia dado uma grande cartada e criou o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (sigla AIIB), e chamou diversos parceiros para investirem. Para surpresa dos EUA, o AIIB atraiu muitos países do leste asiáticos, Oceania, Oriente Médio e também da Europa, entre estes a Alemanha, que levou França e Reino Unido. Sim! Os parceiros da maquinaria de guerra dos EUA no Conselho de Segurança da ONU, e que participaram de muitas aventuras militares que arrancaram milhares de vidas inocentes pelo mundo.

   Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura – [Verde] Membros regionais – [Azul Escuro] Membros não-regionais – [Azul Claro] Potenciais Membros não-regionais

A vingança de Confúcio

O afastamento da França e Reino Unido dos EUA fizeram a balança da injustiça, que pesava para o lado dos EUA, mudar para o lado da China e Rússia. Sem novas guerras o Deep-state nada seria e, muito menos, seus políticos lobistas e sua maquinaria. Precisavam de novos inimigos. A China? A Rússia? Qual mal que fizeram aos estadunidenses?

Foi neste momento que o pensamento de Confúcio falou mais alto. O filósofo andarilho chinês que viveu de 551a.C a 479 a.C, antes de Sócrates e Platão (pais da teoria da República e do Filósofo Governante). O confucionismo se espalhou fácil pela China, pois em suas andanças, Confúcio conheceu, compilou e organizou antigas tradições da sabedoria chinesa, o que permitiu a elaboração de uma doutrina única que foi assumida como oficial e permanece viva por mais de 25 séculos. Em resumo, Confúcio pensava a política como relações humanas em multiescalas. O humano deve cuidar de sua família, assim como o governante deve cuidar de seus governados, assim como o Céu cuida da Terra. Confúcio não acreditava que a humanidade era má ou boa por natureza, mas que ela apenas seguia o exemplo de alguém e, com isto, se um governante fosse mau com seu povo, o povo seria mau com seu governante; se o pai fosse mau com filho, o filho não cuidaria do pai na velhice.

Na atualidade, o Filósofo chinês Yan Xuetong, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Tsinghua, ensina que o Ocidente deveria aprender com Confúcio e seguir o modelo da multiescalaridade nas relações, pois do contrário, continuará rumo às guerras permanentes. Um dos pensamentos de Confúcio é “antes de embarcar em uma vingança, cave duas covas”. Xuetong afirma que o Ocidente é demasiado vingativo e cita as obras de William Shakespeare (Inglaterra, 1564 a 1616) que relatam a vontade de vingança de Hamlet pela morte do pai. Temos atualmente nada menos do que a série de filmes “Os Vingadores”, que reuniu vários super-heróis da Marwel Comics para se vingar de Thanos que, por sua vez, queria se vingar do excesso de seres vivos no universo.

Muitos são os exemplos de vingança na cultura ocidental que, segundo Xuetong, este desejo foi superado pelos chineses por meio do controle das emoções e confiança no fluxo da vida. Confúcio ensinou que é preciso compreender o fluxo e que a vida deve seguir sempre em frente, dando bons exemplos. Os rumos que o bom governante oferece a seu povo deve ser seguido e não disputado ou vingado. Para ele, os maus governantes são derrubados pela retirada do “Mandato do Céu” que, devido ao mal exemplo, não são mais obedecidos pelo povo. O Mandato do Céu sobre o governante é, em escala maior, como o mandato do pai sobre seus filhos, em escala menor. Se um pai maltrata seus filhos, estes passarão a lhe desobedecer. O Partido Comunista Chinês compreendeu a importância do confucionismo e o adotou, após ter sido negado por Mao Tsé-Tung durante a Revolução Chinesa (1966 a 1976).

Deste modo, os chineses deram exemplo e construíram seu país gerando emprego e renda para 1,4 bilhão de pessoas, que se aproxima a 20% da humanidade. Ainda, iniciaram sua expansão econômica com a Nova Rota da Seda, usando como apoio o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB) e o recém-criado Fundo da Rota da Seda. Os ocidentais, por seu lado vingativo, organizam-se não como fluxo, mas o contrário, a permanência. A palavra Estado vem do latim ESTAR, EST, aquilo que É. Segundo os Filósofos gregos como Parmênides (530 a.C. a 460 a.C.), o Ser é e o não-Ser não é. Ou seja, as coisas não podem ser e não ser ao mesmo tempo e cabe ao Filósofo buscar compreender a sua essência que deve ser apenas uma. Muito confuso? Comparando com Confúcio, que pensava a existência como o fluxo de um rio; Parmênides influenciou os ocidentais a pensarem a existência como uma pedra imóvel e permanente. O Estado, portanto, deveria ser como a maior de todas as pedras, sólida e firme, com poder de pesar sobre todos os demais: a força SUPERiora, SOBERana, acima de todas as outras forças.

O Soberano hoje

Para quem pensa que a China e Rússia irão ser os novos sobenaros e se vingar dos EUA e seu Deep-state, acredito que novos dados devem ser colocados em suas análises. O Filósofo sulcoreano Byung-Chul Han, em sua análise sobre “O coronavírus de hoje e o mundo de amanhã”, salientou que o soberano não é mais o que fecha as fronteiras de seu país ou quem decide sobre estado de exceção, mas “é soberano quem dispõe de dados”. A China definiu ser soberana usando a tecnologia e monitorando seus habitantes por meio do uso de Inteligência Artificial, que compila informações coletadas em câmeras espalhadas pelas cidades, telefones inteligentes, reconhecimento facial, biometria, temperatura corporal, entre outras novidades às quais os chineses aderiram pois (não se esqueça) seguem a lógica de Confúcio de respeitar as ordens do bom governante que os protege e os provém de bondades, como um pai aos seus filhos.

O conglomerado chinês de tecnologia em redes sociais utilizada pelo governo é composto por Baidu, Alibaba, Tencent e Xiaomi, que formam a sigla BATX. No Ocidente, os países estão presos ao conglomerado de empresas estadunidenses Google, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft e Twitter, que formam a sigla GAFAMT. A disputa entre BATX e GAFAMT é pelo controle de dados dos seres humanos e o uso deles pelos estados-nações. O Brasil, por exemplo, está condenado ao controle dos EUA por não possuir um rede social própria, como fez a Rússia com o VK (VKontakte, Em Contato).

GAFAMT versus BATX

Para ampliar o poderio dos EUA, Ellon Musk criou a SpaceX que que presta serviços de transporte espacial e, também, lançou satélites que circundam o planeta Terra e formando uma constelação chamada de Starlink. Com esta rede estadunidense de transporte espacial e satélites que prometem conectar a população mundial à internet, os chineses já estão lançando os seus próprios sistemas via o bilionário Li Shufu. A nova corrida espacial entre EUA e China vai além. Ambos estão construindo tecnologia para mineração em asteroides, que eliminarão em breve os desmatamentos e poluição na Terra. Fazem isso por que pretendem preservar nosso planeta? Não. O fazem para a VI Guerra Mundial: a Guerra Espacial.

Em artigo publicado em dezembro de 2015, intitulado “Feliz Mundo Novo! – BRICS, Petrodolar e Ouro”, expus o que acreditava ser a Guerra Mundial que vivemos atualmente. Vamos contá-las: I Guerra Mundial – redistribuição dos territórios Imperiais (1914 a 1918); II Guerra Mundial – reorganização da distribuição territorial (1939 a 1945); III Guerra Mundial – Guerra Fria (1947 a 1991); IV Guerra Mundial – Guerra ao Terror (2001 a 2015) e a V Guerra Mundial – Guerra Cambial (2015 a 2020).

Esta última foi o período em que os EUA tentaram de muitos modos, numa Guerra Híbrida, afastar países da gravitação crescente dos BRICS. Deste modo, infiltraram nos países da América Latina agentes da CIA e treinaram pessoas do Legislativo, Executivo e Judiciário para derrubar governos voltados às vantagens de se aliar com China e Rússia. Na Europa fez o mesmo quando tentou afastar o Reino Unido da União Europeia. Tudo isto só foi possível com a posse de dados dos usuários de redes sociais (GAFAMT) e a manipulação das democracias com a formação de consensos com as notícias falsas propaladas em escala geométrica por perfis falsos de robôs. O grande discurso encaminhado foi, e continua sendo, o anti-globalismo e pró-nacionalismo. Mais uma vez o inimigo invisível oriental, com a China comunista e seus aliados no novo sistema bancário, as Novas Rotas da Seda e, hoje, com o Coronavirus (COVID-19).

O novo modelo de soberania dos EUA tem implementado é fazer com que a população ocidental; que é diametralmente diferentemente da confucionista; busque vingança contra “maus governantes” dos países que alinhem-se com o oriente, acusando-os com narrativas de traição à nação. Eles sabem que o cidadão ocidental, por tradição, não age, mas sim reage. A reação planejada pelo Deep-state é narrativa de que o Coronavirus foi criado pelos chineses e que foi exportado ao Ocidente pelas Novas Rotas da Seda e, para evitar isso, será preciso monitorar todos os cidadãos (como fazem na China) e utilizar os dados no Sistema Judiciário, dando direito à defesa, e fingindo manter as democracias intactas.

Como farão isso? Já foi provado que robôs agindo em redes sociais sob coordenação da GAFAMT levam a população a reagir a inimigos fantasmas. Para tanto, o próximo passo será aprovar nos países leis que permitam o uso dos dados, até então privados, como provas no Judiciário. No Brasil já foi montada esta estrutura jurídica com o Decreto nº 10.046, de 9 de outubro de 2019, que “dispõe sobre a governança no compartilhamento de dados no âmbito da administração pública federal e institui o Cadastro Base do Cidadão e o Comitê Central de Governança de Dados”; e o Decreto nº 10.047, de 9 de outubro de 2019, que “dispõe sobre a governança do Cadastro Nacional de Informações Sociais e institui o programa Observatório de Previdência e Informações, no âmbito do Cadastro Nacional de Informações Sociais”. Soma-se a estes já instituídos, o Projeto de Lei nº 2418/2019 que “altera a Lei nº 12.965/2014, para criar obrigação de monitoramento de atividades terroristas e crimes hediondos a provedores de aplicações de Internet”. É uma trama de Jair Bolsonaro? Não! Bolsonaro é apenas um fantoche que, neste jogo, serve de criador de inimigos fantasmas que os robôs disseminam: “Petralhas”, “Bolivarianos”, “ONGs internacionais”, “Macron”, “Gripezinha”, entre outros.

O Soberano na Guerra Espacial

Trump anunciou em junho de 2018 a criação da Força Espacial dos EUA, com data para entrar em ação em 2020. O inimigo do Deep-state desta vez é a Força de Apoio Estratégico do Exército Popular de Libertação da China foi criada em 2016 para consolidar as operações espaciais e cibernéticas chinesas e as Forças Espaciais Russas criadas em 2015.

Estas Forças Espaciais em breve irão digladiar no Espaço logo acima da atmosfera, para proteger cada qual seu pedaço da estratosfera onde estão posicionados os respectivos satélites de monitoramento e influência dos humanos, sobre os quais buscam ser os Soberanos, bem como na caçada por asteroides mineráveis. Nesta Guerra Espacial os chineses já estão na frente quando se trata da aceitação popular quanto o direcionamento dos gastos públicos, o que os EUA pretendem conseguir na força da reação ao Coronavirus, ou a outro inimigo que porventura possa aparecer.

A estratégia do Deep-state é (e não se assuste) deixar morrer o maior número de pessoas possível de COVID-19 para que, então, a vacina apareça e seja aceita como forma da “guerra ao vírus”. Este plano foi exposto em documentário “Thrive – Prosperidade Para o Planeta Terra” (link para assistir no YouTube https://www.youtube.com/watch?v=IMHG4HgopcY), lançado em novembro de 2011, nos EUA, sob Direção  de Kimberly Carter Gamble, esposa de Foster Gamble, um dos herdeiros do império “P&G – Procter & Gamble”, uma das maiores empresas e fortunas do Estados Unidos e responsáveis por um verdadeiro monopólio de marcas de produtos de cosmética, alimentação, saúde, perfumaria entre centenas de outros ramos da indústria. Foster Gamble é o narrador do documentário e descreve que a empresa da sua família ajudou a criar vacinas com nanotecnologia para serem usadas no futuro (hoje) com intuito de monitorar a população que, porém, deveria sofrer uma redução drástica, pois os 7,5 bilhões atuais poderiam fugir do controle. Gamble nos parece um arrependido que usa a linguagem de cinema para propor alternativas ao sociocídio, com o qual não concorda e afirma ter, por isso, se afastado dos negócios da P&G. Pepe Escobar, analista de Geopolítica, também denunciou um de vários projetos criados nos últimos anos para a instalação de uma identidade global digital, o ID2020, que pretende ser instalado nos corpos humanos como vacina (ver id2020.org).

Cena de Thrive explicando o sistema de dominação do Deep-state

É muita informação para sua cabeça? Parece que boa parte é ficção científica, não? Gostaria que realmente fosse. Mas quem diria que passaríamos pela situação de isolamento mundial que vivemos por conta do Coronavirus? Ora, sempre nos avisaram que isto iria acontecer.

Quantos filmes foram feitos em Hollywood sobre terroristas antes de 2001? Quantos filmes e séries sobre Zumbies que foram infectados por um vírus e atacavam os ainda não infectados que buscavam armas para se defender? Quantos filmes sobre epidemias? E se você acha que há mais possibilidades, acredite que sim. O Deep-state segue a regra de criação de inimigos para manter sua soberania e não se assuste se muito em breve falarem de ameaça alienígena. Mais um inimigo criado nos galpões e nos subsolos dos EUA para manter sua hegemonia que de geopolítica, passa agora para cosmopolítica.

Novos Soberanos

Em 1901, Vladimir Lenin escreveu o livro “O Que Fazer?”, levantando questões para além da análise política, rumo à ação política junto da sociedade. A atualidade das questões de Lenin nos faz pensar, apesar do cenário crítico e aparentemente dominado pelo Deep-state que, ao perceber qualquer ação de resistência aos seus interesses apontará suas armas contra, como fez com Julian Assange e muitos outros que buscaram formas de divulgar à população o jogo sociocida que nos meteram.

Como contribuição após esta longa análise, sugiro que a solução passe pelo confucionismo, no que diz respeito a seguir o fluxo das tecnologias, porém ao extremo. Isto é, se a China, Rússia e EUA criaram suas próprias redes de tecnologia e captação de dados, que o mesmo seja feito pelos demais países ou blocos aliados. Assim, dispondo de dados para prever os caminhos futuros, poderão ser garantidas as Soberanias.

Uma das soluções para países reféns da GAFAMT, por exemplo, é a utilização de redes fechadas, com bloqueadores (Firewall) e anti-Espiões. Outra solução seria a democratização absoluta das decisões sobre o orçamento dos países. Isto seria possível com uso de tecnologia, em que o cidadão definiria onde deseja que seu imposto seja investido, simplesmente acessando um APP pela seu telefone inteligente, com leitor de QR Code colocar sobre as Notas Fiscais dos produtos que comprou, e o APP reconheceria as porcentagens que foram para União, Estado e Município, e daria opções ao cidadão definir seus usos, sendo Saúde, Educação, Infraestrutura, Logística, Tesouro, Agricultura, Segurança, entre outros.

Os Novos Soberanos, se assim desejarem ser, deverão investir em tecnologia e programação. Sem uma geração de programadores digitais não será possível ser Soberano. Parafraseando Albert Einstein que escreveu a Max Born em 1926, sobre os mistérios da Física Quântica: “Estou, em todos os casos, convencido de que Deus não joga dados”. Einstein se referia aos dados de jogos, onde se aposta na sorte. O povo Soberano não deve “jogar” seus dados, mas deve organizá-lo e impedir que sejam roubados, pirateados, usados por outros, pois isto fere sua soberania.

Os militares brasileiros que se aliaram aos EUA, permitindo que o General Alcides Valeriano de Faria Junior assumisse um cargo subalterno dentro do Exército dos EUA em fevereiro de 2019, jogam a sorte dos cidadãos que pagam seus salários para protege-los nas mãos do Deep-state. Os Generais Villas Boas, Heleno, Braga Neto e Mourão devem estar cientes de que descumprem a Constituição Federal de 1988, em seu Art. 1º: A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I – a soberania. Não poderão reclamar, dentro de alguns anos, que o mesmo Deep-state soberano utilize os dados dos brasileiros, subalternos, para derrubar o governo militar que se acomoda em Brasília, alçando o povo às ruas que exigirá, nada menos que, vingança.

Sobre Nuno Nunes 17 artigos
Filósofo, Escritor e Mestre em Educação e Comunicação pela UFSC, Doutorando em Planejamento pela UDESC. É colunista de geopolítica do portal Tribuna Universitária

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