Geopolítica: Brasil e seus militares sem cultura política

Por Nuno Nunes

Não são os civis brasileiros quem não possuem cultura política, mas nossos militares que, ao invés de se meterem com política, deveriam defender o país. Nas Forças Armadas do Brasil têm sujeitos mimados que se julgam mais preparados que os civis para comandar o país. O melhor exemplo deles é um presidente pornográfico que foi eleito somente por que Lula da Silva foi preso injustamente por um judiciário acovardado diante das ameaças milicianas. Neste quadro, deveria a Venezuela se preocupar com as posições das Forças Armadas do Brasil?

O que dizem os Estrategistas

Samuel P. Huntington acredita que quanto mais profissionalizado o militar, maior será seu respeito aos civis e menor sua interferência nos governos. Com isto, o autor prevê que o militar, como um servidor do Estado, dedicará sua vida a mantê-lo vivo e protegê-lo para próximas gerações.
Já Samuel Finer, acredita que por ter grandes vantagens em relação aos civis,  por ser profissionalizado, o militar possa interferir mais na política quanto menor for a cultura política no país.

Pergunta: Mas quem são Huntington e Finer? O que têm em comum?
Resposta: Além do mesmo nome (Samuel), são ilustres desconhecidos. Mais exatamente, são nerds das academias euro-americano-centradas, formados em Ciências Políticas e pesquisadores de estratégias e relação entre militares e civis

Hungtington é dos EUA e ficou famoso por sua teoria de que após a Guerra Fria, iniciaria a Guerra Cultural entre civilizações. Exatamente aquela que Olavo de Carvalho e Bolsonaro tentam encontrar no Brasil, mas não conseguem pois são incapazes de compreender as profundas raízes indígenas e anárquicas das terras baixas da América do Sul. Eles tentam levar a população a creditar que há uma parte da sociedade pura, justa e casta, enquanto há outra suja, corrupta e promíscua. Nunca entenderão que as raízes culturais brasileiras permitem eticamente que a pessoa tenha certas atitudes no início do verão, outras no carnaval, reavalie sua conduta no inverno, retome outro planejamento de vida na primavera e, enfim, renasça pronto para recomeçar fazendo promessas de ano novo.

Samuel Finer é do Reino Unido e ficou famoso por apontar que os militares são mimados e têm manias de oprimir civis. Exatamente o que pessoas como o General Villas Bôas, General Augusto Heleno, General Hamilton Mourão são: militares mimados. Porém, eles também são profissionalizados e possuem abaixo de si cadeias de comando nas Forças Armadas, onde poderiam dar ordens que serão cumpridas imediatamente. Inclusive ordens para golpe militar em Bolsonaro.

Diferentes culturas políticas dos países

Finer afirmou que em países com baixa cultura política são mais suscetíveis a intervenções militares. O que vemos no Brasil, diferentemente do que acontece na Venezuela (criticada por General Heleno) é que as Forças Armadas brasileira possuem baixíssima cultura política. Eles agem como se estivessem falando com militares enquanto falam a civis. Ao serem questionados, ficam chateados e logo criam um ou outro inimigo chamar de culpados. Bolsonaro já acusou a imprensa, a ONU, as ONGs, o Carnaval. Qual será o próximo?

Sem cultura política, os militares brasileiros não respeitam o espaço político que é, prioritariamente, civil. Os militares servem a população que é civil. Isto está na Constituição Federal brasileira de 1988, mais especificamente em seu Artigo 142, que afirma: “ao militar são proibidas a sindicalização e a greve”. Isto está na CF não à toa. Está escrito para garantir que militares não se mobilizem sem que tenham recebido ordens superiores para isso, e tais ordens tem como mais alto grau a posição do Comandante-em-Chefe que é, pois, aquele que ocupa o cargo de Presidente

Sem cultura política, sentindo-se altamente profissionalizados, “formados e com pós-graduações”, como afirmou um dos Generais do governo Bolsonaro, os militares brasileiros acreditaram que eram os civis, os brasileiros, os eleitores, a população, os trabalhadores, quem não possuía cultura política. E para demonstrar isto, General Villas Bôas decidiu montar seu sindicato militar e concorrer às eleições presidenciais com um laranja, a quem pudesse controlar e evitar o controle civil sobre o Estado.


Forças Armadas da Venezuela não são iguais às do Brasil

Para alcançar seus objetivos, o Sindicato Militar teve que acossar o Supremo Tribunal Federal para evitar a liberdade de Luis Inácio Lula da Silva, ex-presidente e candidato mais cotado nas pesquisas; e também pedir apoio dos militares dos Estados Unidos da América para que profissionalizasse os do Brasil em estratégias e gestão política. Isto findou com o alinhamento pela dívida das Forças Armadas do Brasil com a dos EUA, que pediu o pagamento em apoio aos ataques contra a Venezuela

O que acontecerá na Venezuela nos próximos meses? Sabotagens atrás de sabotagens, as quais Maduro e sua equipe já virou especialista em reverter, e também tentativas atrás de tentativas de fazer os Generais de Nicolás Maduro traírem seu Comandante-em-Chefe. Porém, tal traição demorará para ocorrer, pois os Venezuelanos, ao contrário das Forças Armadas brasileiras, possuem cultura política e nela há a figura do traidor, de nome Francisco Santander, que em 1828 abandonou Simón Bolívar em um processo que culminou com a a morte do libertador venezuelano.

Sobre Nuno Nunes 17 artigos
Filósofo, Escritor e Mestre em Educação e Comunicação pela UFSC, Doutorando em Planejamento pela UDESC. É colunista de geopolítica do portal Tribuna Universitária

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