Geopolítica: Moro quer do Brasil um Subimpério dos EUA

Por Nuno Nunes

O Brasil se inclina

Os inimigos do ex-presidente Lula e Dilma eram a fome, o desemprego, a pobreza e o analfabetismo. Com isto, cabia às Forças Armadas e ao Judiciário Brasileiro seguirem o Poder Executivo centralizado em Brasília no combate aos coronéis de cada Estado do Brasil que comandam a corrupção e crime organizado por meio de pressão política pela mídia que controlam (jornais locais, rádios e subsidiárias da Globo e Record).

O Brasil, diferente dos demais países das Américas, foi sede de um Império que durou de 1808 a 1889, quando a família real fugiu de Portugal e implementou na sua maior colônia a sede do governo monárquico. Foi neste período que se formaram os poderes regionais, quando exatamente no dia 18 de setembro de 1850, Dom Pedro II assinou a Lei de Terras (Lei 601), e passou para os Estados o poder de organizar a propriedade privada no Brasil. Neste momento os descendentes das oligarquias regionais (herdeiros das capitanias) lucraram muito vendendo títulos das terras que estavam sob seus comandos.

Esta venda de títulos funcionou como a criação de uma rede de crime organizado para exploração de recursos naturais e tráfico para a Europa, levando a floresta, minerais, depois transformando as terras desmatadas para o serviço de plantio e criação de gado em sistema de comodato para nações que não conseguiam boas safras. Esta é a origem das Commodities e do sistema “explora-ganha”.

O Brasil ensaia o levante

Lula e Dilma buscaram de várias formas distribuir a renda da exploração das commodities aos mais pobres, e implementaram várias Políticas Públicas para alcançar o objetivo pelo qual foram eleitos. Era o sistema “ganha-ganha”, onde o capitalista ganha, mas deixa parte dos lucros para que o Estado se organize gerando emprego e renda para a população para que, enfim, o capitalista continue ganhando e não acabem os recursos nem os empregos. Este sistema estava centralizado em Brasília para evitar que as famílias regionais (os herdeiros das capitanias) cobrassem pedágios com suas organizações criminosas e desmontassem o sistema “ganha-ganha” para implementar o antigo “explora-ganha”.

As famílias regionais demoraram para se reorganizar, mas conseguiram bolar sua estratégia com apoio dos militares que estavam se sentindo fora do sistema. Como ocorreu no final da República Romana no século II antes de Cristo, os militares que mantinham Roma segura de invasões viam os senadores despreocupados e usufruindo das riquezas com o povo romano, rebelaram-se e tomaram o poder, instaurando o Império Romano sob comando das Forças Armadas. No Brasil atual, o trio militar encabeçado por Villas Boas, seguido de Heleno e Mourão, foram os responsáveis pela estratégia que passava por tirar Dilma do poder e prender o responsável pela criação do sistema “ganha-ganha”: o metalúrgico Luis Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil e candidatíssimo em 2018.

O Brasil declina e reclina

Para derrubar a República, os militares contaram com apoio de um juiz de primeira instância que aceitou receber informações diretas das mãos dos serviços secretos dos Estados Unidos (conforme denunciado por Snowden), sem passar pelo Ministério da Justiça, e maquiar as informações como se fossem delações. Uma vez Lula preso, o inimigo estava formado e bastava criar um heroi que demorou a aparecer. Bolsonaro, que nunca foi elite, foi então escolhido como uma alternativa ruim, mas aceitável desde que não disputasse com os generais e os herdeiros das capitanias. Em um mês de governo dos militares, o ex-juiz de primeira instância, agora Ministro da Justiça, Sérgio Moro, foi ao Congresso Nacional apresentar a proposta que chamaram de “PROJETO DE LEI ANTICRIME”.

Este Projeto de Lei nada mais é que a destruição de qualquer possibilidade de centralização de poder no Brasil, alterando nosso arcabouço jurídico para distribuir poderes regionalmente e garantir aos herdeiros das capitanias que voltem a cobrar seus pedágios. Para tanto, Moro foi o porta voz da proposta que transforma os “Tribunais Regionais” em “Supremos Tribunais Regionais”, onde as decisões de desembargadores da segunda instância do sul, possam julgar sem ter que seguir decisões do norte do país, por exemplo.

Este é o modelo de Moro e dos militares para servir às famílias regionais do crime organizado no Brasil, que estão fazendo de tudo para retornar o sistema “explora-ganha”. Este modelo jurídico não é brasileiro e não faz parte da nossa tradição jurídica e, por isso, está enfrentando críticas de juristas e do legislativo. Este modelo de Moro é uma adaptação ao modelo dos Estados Unidos da América, e uma vez aprovado no Brasil, transformará nossa nação num território jurídico dos EUA, onde o Supremo Tribunal Federal de nada servirá aos brasileiros, e todas as ações terão como Foro o Poder Judiciário sediado em Nova York. 

Moro quer transformar o Brasil num subimpério dos EUA.

Sobre Nuno Nunes 17 artigos
Filósofo, Escritor e Mestre em Educação e Comunicação pela UFSC, Doutorando em Planejamento pela UDESC. É colunista de geopolítica do portal Tribuna Universitária

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