UFPR: nome de novo Reitor ainda é incerto. Mais votado diz esperar que o resultado seja respeitado

Fachada do prédio histórico da UFPR no Centro de Curitiba-PR, atualmente sede do Centro de Ciências Jurídicas. (divulgação)

Por Mariana Franco Ramos* | para o Tribuna Universitária

Embora chapa vencedora, encabeçada por Ricardo Marcelo Fonseca, tenha obtido 83% dos votos, nomeação ainda depende do MEC; eleitor de Bolsonaro, candidato derrotado busca impugnação 

O reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Marcelo Fonseca, aguarda a homologação do Ministério da Educação (MEC) para saber se continua no cargo por mais quatro anos. Com 83,07% dos votos válidos, a chapa 2, encabeçada por ele, recebeu a maior vitória registrada num processo eleitoral da instituição desde a redemocratização.

Em virtude da pandemia de Covid-19, a consulta pública aconteceu pela internet, entre os dias 1° e 2 de setembro. Horácio Tertuliano dos Santos Filho, da chapa 1, obteve 14,56% dos votos. O resultado é calculado a partir de uma média ponderada entre funcionários, professores e alunos. Segundo a UFPR, 17.018 pessoas participaram do processo, um recorde.

“Foi a votação mais legitimada da nossa história e a que teve a maior margem a favor de uma chapa”, destaca Fonseca. Prestes a completar 108 anos, a UFPR é a mais antiga universidade do país. “Estamos muito contentes com o resultado e com o reconhecimento da comunidade”, afirma. 

O resultado será encaminhado ao Colégio Eleitoral da instituição, que se reunirá para homologar os números. O Colégio tem até 60 dias antes da posse da nova Reitoria (19 de dezembro) para organizar a lista tríplice e enviá-la ao MEC. Entenda o processo eleitoral clicando aqui.

Nomeação do eleito não está garantida

De acordo com o reitor reeleito, é difícil fazer um prognóstico sobre as fases seguintes. Em 2019, das 14 nomeações, a gestão Jair Bolsonaro (sem partido) só escolheu o primeiro colocado da lista em oito. Nas outras seis, optou por candidatos menos votados.

Foi o caso do ocorrido em agosto deste ano na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró (RN). A homologada, Ludimilla Oliveira, ficou em terceiro lugar na disputa interna. Mesmo não sendo obrigatória, a indicação do vencedor da consulta é uma tradição e foi cumprida por todos os presidentes a partir de 1985.

“A expectativa, claro, a exemplo do que sempre aconteceu na história da nossa universidade, é que a ordem colocada na lista a ser enviada ao MEC seja respeitada, até porque não há nenhum motivo para desprezar a vontade eloquente da comunidade”, defende Fonseca. O professor afirma que tem acompanhado as decisões nos demais estados, contudo, frisa que os casos são diferentes.

“Não há sequer uma linearidade que eu chamaria de ideológica naquilo que tem acontecido. De todo modo, as situações que verificamos [de desrespeito à lista] ocorrem sobretudo em universidades menores. Nós teremos em breve a análise das listas da UFRGS (Federal do Rio Grande do Sul) e da UNB (Nacional de Brasília), antes da UFPR, que serão precedentes importantes”, comenta. 

Chapa derrotada tenta impugnar resultado

Na última sexta-feira (4), Horácio Tertuliano Filho entrou com um pedido de impugnação das eleições, alegando irregularidades na votação on line. A Comissão Paritária de Consulta (CPC) informou que tem até o dia 8 de setembro para concluir a avaliação e proferir um parecer sobre o caso. 

A reportagem procurou diversas vezes o candidato derrotado à Reitoria para que comentasse o resultado e o pedido, bem como os próximos passos da chapa 1, entretanto, até o momento não recebeu retorno. Diretor do Setor de Tecnologia da UFPR, Tertuliano é um eleitor declarado de Bolsonaro.

“A chapa derrotada desde antes do processo já colocava óbices formais e questionamentos. A impressão é que, apesar de eles terem feito inscrição e, portanto, aceitado as regras, não estavam comprometidos com o processo e com o seu resultado”, opina o reitor reeleito. O pedido de impugnação, reforça, é “mera cortina de fumaça, com argumentos formais sem nenhum sentido”, e “não surpreende”.

*Mariana Franco Ramos, é Jornalista graduada pela UFPR em 2005, com especialização em Sociologia Política. Passagens por Folha de S.Paulo, Portal Terra e Folha de Londrina

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