O futuro das salas de aula

Por Vanessa Bencz | Para redação

Para os convidados do 2° bate-papo da coluna Universidade e Realidade, é preciso manter postura pró ativa e questionadora em frente à pandemia

Numa época em que universidades foram obrigadas a fechar as portas, trancar as bibliotecas e deixar a poeira se acumular nas salas de aula, professores e estudantes do ensino superior resolveram não se resignar. É isso o que prova Josué Medeiros, professor da disciplina de Ciências Políticas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), durante sua fala no 2o debate online da coluna Universidade e Realidade, iniciativa do jornal Tribuna Universitária.

O tema desta segunda conversa foi “perspectivas e dilemas do presente e do futuro diante da realidade da pandemia” e contou com a mediação de Rafael Pereira, editor do jornal Tribuna Universitária. Além do professor Josué Medeiros, a live teve a colaboração da doutoranda em química Aline Almeida, que também é técnica administrativa na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

O professor Josué abriu sua fala comentando sobre a saída polêmica de Abraham Weintraub do Ministério da Educação. “A queda dele foi o resultado das lutas das universidades. Comunidades do Brasil todo já tinham inviabilizado a gestão dele, uma gestão inepta e prejudicial para o País”, afirmou. 

Josué disse que, mesmo que a curva de infectados com o coronavírus baixe ainda em 2020, sem vacina não se volta às aulas. E isso pode demorar bastante tempo. Portanto, universidades do brasil todo se jogaram em uma dinâmica de pesquisa e extensão para minimizar os estragos da COVID-19. O professor citou três mobilizações importantes: fortalecimento do sistema de saúde universitário com ampliação de leitos nos hospitais universitários; pesquisas em tecnologia para, por exemplo, desenvolver respiradores mais baratos; e tecnologias sociais para mapear infectados pelas áreas mais vulneráveis e disponibilizar amparo. 

Já Aline Almeida, a segunda convidada do bate-papo online desta edição, fez importantes questionamentos acerca do futuro do processo da educação: a construção de conhecimento se dá apenas na exposição física de um professor? Para ela, conviver em um ambiente escolar também é um aprendizado, já que oferece um ambiente rico em colegas, livros e vivências. Mas, em situação de pandemia, teremos que reaprender a conviver. “Estamos consertando um avião em pleno voo”, atesta Aline. 

E será que sabemos ao certo o destino deste avião? A doutoranda em química destaca que, além dos desafios para atender às demandas das disciplinas por meio de uma tecnologia que ainda conhecemos pouco, é preciso lembrar dos estudantes portadores de deficiências. Como um deficiente visual ou auditivo vai se adaptar a essas novas tecnologias? Enquanto nos fazemos essas perguntas e tentamos manter o avião no ar, salas de aula continuam acumulando poeira e pontos de interrogação.

O debate completo pode ser visto no canal da Tribuna Universitária no youtube

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