O Político | José Roberto Paludo

José Roberto Paludo é Professor, Doutor em Sociologia Política pela UFSC

Apresentar-se como político é uma identidade pouco louvável na atualidade, mas isso não é novidade pós moderna, essa visão negativa do indivíduo político é carregada de ideologia desde a inversão da vida ativa, pela vida laboral, como explica Hannah Arentd em “A Condição Humana”, ou seja, aquilo que era uma virtude entre os cidadãos gregos na Polis, passou a ser carregado de preconceito no mundo moderno, onde se inverteu a lógica: o trabalho braçal e o esforço extenuante passou a ter valor social e moral superior.

O próprio Max Weber distingue Ciência e Política como duas vocações, que se contrapõem e de certa forma seriam excludentes, bem como define dois tipos de políticos: aquele que vive da política (profissional) e o que vive para a política (está na política temporariamente cumprindo um mandato).

Uso esse referencial para fundamentar a atitude política do Prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, no dia 24 de março de 2020.

Vi o nome do Gean durante o seu terceiro mandato de vereador pelo PDT (2000/2004) quando era comum seus outdoors dando parabéns à toda e qualquer data comemorativa. Minha opinião daquilo era de um trabalho tolo e inútil, de alguém que só pensa em se promover, sem ação.

Depois, o conheci pessoalmente já como deputado estadual e no período de diretor da FATMA, quando, confesso, também não me despertou simpatia pela sua atuação política, além da troca constante de partido que gera insegurança de posicionamento. Candidato a Prefeito de Florianópolis (2016) devo ter votado nele no segundo turno, por exclusão.

Gean Loureiro é o típico político profissional, sempre fez isso, praticamente sua única profissão, o que contrasta com o governador de Santa Catarina, um militar que foi eleito governador como sua primeira experiência política na vida.

Esse momento de pandemia pode ser comparada com uma guerra, não de um país contra outro, mas do mundo inteiro contra uma doença desconhecida com efeito letal de destruição em massa (embora não se descarte a possibilidade desta pandemia não ser puramente natural e haver hipóteses de uma guerra bacteriológica de disputa de mercado global, mas isso já é outro assunto que teremos tempo de debater).

Pandemias não são novidades na história da humanidade, mas também não ocorrem todos os dias, tanto que a última nessas proporções foi a gripe espanhola (que começou nos EUA, como a Covid-19) em 1918. Portanto, as atitudes e comportamento dos políticos, dos empresários, dos sindicatos, da imprensa, das igrejas e outras instituições, neste momento, ficará gravado na história bem mais que em tempos de normalidade.

Traçando um comparativo entre O Político, Prefeito Gean Loureiro e o Não Político Governador Carlos Moisés, percebe-se que ambos tiveram postura assertiva e exemplar no início da pandemia, seguindo orientações científicas e tomando medidas responsáveis de proteção à vida acima da preocupação com o capital.

Contudo, passada uma semana, houve uma inversão de posicionamento do Governador, certamente pressionado pelo seu “mito” e pelos ricos (num texto anterior tratei sobre os motivos do desespero dos ricos em tempos de pandemia).

O Governador Não Político, fez o caminho inverso do Prefeito de Milão (Itália) que em poucas semanas reconheceu sua irresponsabilidade com a campanha “Milano Non Si Ferma” que teve como consequência a maior mortalidade per capita de vítimas do coronavírus no mundo (até o momento). Aqui, o Governador fez o inverso, começou responsável e cedeu à pressão, inclusive contratando uma campanha publicitária milionária para a “retomada da economia”.

Ao contrário, O Político, prefeito Gean Loureiro foi para as redes sociais desabafar que tomou a decisão mais difícil da sua vida, e, certamente a mais importante, que foi escutar os especialistas, sua excelente equipe médica e manter sua posição, contrariando a onda demagógica e irresponsável “moda à brasileira”.

Se na minha opinião, nessa trajetória de 30 anos de vida pública, Gean Loureiro que ESTÁ Prefeito de Florianópolis, não teve grandes méritos que o diferenciasse da média dos Políticos pouco recomendados, valeu sua experiência, valeu ser Político, para tomar a melhor atitude da sua vida, neste momento da história, que não será esquecida como qualquer outra em tempos de normalidade. Por outro lado, fica a reflexão sobre qual o valor de eleger Não Políticos INEPTOS como o Governador de Santa Catarina.

Talvez, num momento de guerra ou de epidemia pode-se chegar à conclusão de que a POLÍTICA importa sim, e, possivelmente não seja a única praga da humanidade. Mesmo cheio de maus exemplos (não é exclusividade da política os maus exemplos), mas, o mais importante é a sensatez de interpretar as contradições e tomar as atitudes previdentes.

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