Pandemia, Deficiência e Inclusão | Paulo Roberto de Jesus Silva*

Será que nos lembraremos de 2020 apenas pelas perdas e sofrimentos que estamos passando? Seria possível extrair conquistas e novas aprendizagens de um anos tão incomum? Sem negar as tristezas que tivemos e estamos tendo, queremos compartilhar com você querido (a) leitor(a) alguns desafios e avanços na educação de estudantes com deficiência!

Nós já ouvimos falar que o mundo não é mais o mesmo. De fato mudou desde as primeiras transmissões do vírus Sars-Cov-2 ocorridas em novembro de 2019 em Wuran, China, passando pelo dia 30 de janeiro de 2020 com a declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional pela OMS e o 11 de março de 2020 com a confirmação mundial da pandemia.

As desigualdades, que já marcavam nosso planeta e país, se evidenciaram/dilataram ao passo das severas conseguências da pandemia na saúde, economia e em outras áreas. A educação não passaria ilesa, pelo contrário, as exigências sanitárias em prol da vida sacudiriam um dos principais pilares de sustentação da educação – as interações sociais presenciais – com o impedimento de abraços, diálogos face a face, troca de objetos de aprendizagem, entre outras atitudes tão caras à formação humana.

Todos sabemos que essa situação trouxe impactos negativos para todos os estudantes, contudo, para parte dos estudantes com deficiência que dependiam de maiores suportes pedagógicos específicos das escolas a situação seria dramática.

Diante de mais estas barreiras impostas, em um contexto de incertezas, contraditoriamente, vem se tornando um cenário desafiador, de reinvenções e de novas possiblidades para ensinar e para aprender juntos. Em tempos de resiliência pedagógica, algumas escolas, por meio de seus professores(as) não se deixaram vencer.

Talvel nunca foi tão necessária a flexibilidade, intencionalidade e inventividade na educação. Mesmo com a demanda de trabalho redobrada, professores (as) não se acomodaram e buscaram novas formas para não deixar seus alunos sem estudar, compartilhar e aprender, mesmos que de form remota. Tem sido um ano que endossou que ser professor(a) é ser um eterno aprendiz.

Os (as) professores (as) do Atendimento Educacional Especializado, assim como vários outros, passaram a usar as tecnologias da informação e comunicação (TIC), redes sociais, a produzirem jogos didáticos digitais personalizados à cada aluno. Em aulas individualizadas ou em grupos tem ocorrido um impressionante (re)florecer de saberes e práticas em um ano que muitos só conseguiram ver/viver perdas.

Outra conquista que merece destaque foi a redescoberta da parceira família-escola, pois como os(as) alunos (as) estão em casa na hora das aulas as famílias puderam/tiveram que acompanhar e apoiar de forma mais incisiva o processo ensino aprendizagem, e provavelmente, diante da complexidade educacional, puderam reconhecer ainda mais a importância da escola. E por conta de maiores limitações de alguns estudantes com deficiência, a participação da família nas aulas se deram de forma mais direta, estreitando os laços da educação do lar e a escolar, em novas tramas de existência pedagógica.

Sabemos que nem tudo são flores e muito precisa ser feito antes da tão esperada vacinação da população. Inclui-se ai a melhoria das condições tecnólogicas básicas e específicas de aprendizagem dos estudantes com deficiência. Porém, podendo esperançar com essas simples palavras e nos dispormos a enxergar boas surpresas e avanços que tivemos, pelo esforço coletivo, em 2020. Estamos aprendendo muito nesse ano, e uma das aprendizagens primordiais é que dentre os conteúdos que a escola jamais poderá deixar de ensinar é o amor e respeito à vida.

E você tem coisas boas para compartilhar?

*Prof. Dr. Paulo Roberto de Jesus Silva, tem graduação, mestrado e doutorado na área de Educação. É Professor da UFMA, na docência do Atendimento Educacional Especializado. Lidera o GEPAEE (Grupo de Estudos e Pesquisas na área do Atendimento Educacional Especializado – COLUN/UFMA). Coordena do NAPNEE (Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas do COLUN/UFMA).

Os artigos publicados nessa seção, "Tribuna Livre", não são editados ou revisados pelo portal, sendo de inteira responsabilidade de seus autores. Para fazer uso da nossa tribuna livre, envie um artigo de 500 a 1000 palavras no formato .rtf para redacao@tribunauniversitaria.com.br com assunto "tribuna livre".

Seja o primeiro a comentar

Comente!