Por que Bolsonaro ainda é popular? | Rafael Cardoso Chagas

Por Rafael Cardoso Chagas* | Historiador

Apesar de toda a crise política e o espancamento público, Bolsonaro mantém, em certa medida, sua popularidade. Pior, sua popularidade tem aumentado entre os mais pobres e os menos escolarizados. Obviamente que essas circunstâncias são resultado de uma dinâmica social complexa que envolve vários fatores. Existe um que tenho pensado recentemente que me parece importante.

Hayek dizia que a economia não era nem uma ordem natural (como defendiam os liberais clássicos) e nem uma ordem produzida (como defendiam os intervencionistas). Para ele, a economia de mercado se estabelece como uma ordem espontânea, pautada na tradição dos sujeitos e comunidades. Os processos econômicos estariam mais vinculados a aspectos que definem a religião do que a ciência, por exemplo. Hayek com a defesa dessa ordem espontânea empreende uma luta, ao mesmo tempo, contra o liberalismo clássico, o fascismo, o socialismo e os Estados de bem estar.

O discurso do Bolsonaro, em um dos seus aspectos, encontra sua força também na defesa do que é “tradicional” na nossa sociedade a qual seus opositores querem destruir. Assim, a moral do trabalho (as pessoas precisavam botar comida em casa com seu trabalho), a competição entre sujeitos empreendedores “sem privilégios”, a economia de mercado, articulam-se com tradições religiosas e da família. Guedes e Damares se articulam de maneira peculiar em um projeto político. E os militares são, nesse sentido, fundamentais para a estabilidade. Não mais pelas armas apenas, mas, principalmente, pela sua tradição de reserva moral dessa sociedade.

O Neoliberalismo tornou essa aliança inédita a nível mundial uma força política poderosa e que, de forma autoritária, coloca a democracia em risco. Saber onde está a força do nosso inimigo é fundamental para enfrentá-lo. Bolsonaro não tem apoio porque as pessoas são ignorantes. Precisaremos muito mais do que a razão para derrotar o bolsonarismo.

*Rafael Cardoso Chagas é Técnico em Assuntos Educacionais na Universidade Federal Fluminense (UFF). Formado em História pela UFF, fez mestrado em Saúde Coletiva e cursa doutorado em Bioética, Ética aplicada e Saúde Coletiva também pela UFF.

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1 Comentário

  1. Na minha opinião tem duas vertentes que ajudam a estabilidade do governo Bolsonaro. Porém essas são estabili dade com prazo determinado.

    O avanço na classe menos favorecidas passa muito pela a política construída para distribuição da ajuda emergencial de 600,00.
    E por fim, a polarização nas ruas e redes sociais em defesa desse governo.
    Tem algumas ações do povo da enfermagem, que está evoluindo ao passar dos dias, tirando isso, estamos todos cumprindo a Lei estabelecida pela OMC.
    No mais, o texto está bem atualizado quanto com a atual conjuntura.

    Grato,
    Heron

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