Punição para fakenews aprovada pra “inglês ver”

A derrubada do veto ao Projeto de Lei 1978/11, do ponto que atribui punição a quem divulgasse notícias falsas, está sendo comemorada ingenuamente! Em quase nada isso contribuirá para resolver a crise de referências e credibilidade vivenciada atualmente por todos os setores envolvidos com informação, comunicação e conhecimento!

Embora seja uma derrota política importante para Bolsonaro, dado que ele teve um veto derrubado por 326 x 84, essa medida terá impacto muito pequeno no fenômeno de criação e propagação de notícias falsas, uma vez que foca apenas num crime eleitoral, ou seja, cria mais um elemento para a guerra judicial que as eleições se transformaram, o que “protege” apenas candidatos ricos e podem criar muitos problemas a adversários outsiders de origem popular.

De nada adianta prever uma punição para quem divulgar notícias falsas “com finalidade eleitoral” se o Presidente, Ministro da Educação e outras lideranças institucionais e celebridades cibernéticas passam horas de seu dia divulgando falsidades sobre coisas muito mais sérias que uma “acusação com finalidade eleitoral”. Vejam o caso das queimadas na Amazônia e INPE, por exemplo.

É uma ilusão acreditar que essa geração de políticos que se elegeram utilizando a ferramenta das notícias falsas, inclusive com apoio de setores importantes da mídia e do judiciário, vão tomar providências para combater aquilo que os beneficia.

Uma importante ação para produzir saídas nesse momento é a produção de informação de qualidade e comprometida com referências científicas e devidamente apuradas, com projeto editorial honesto e transparente em que o leitor e a leitora saibam a diferença entre análise, opinião e fato, para que possam construir suas opções o mais livremente possível.

Problematizar a neutralidade ilusória da imprensa, desvelando as contradições inerentes ao próprios fatos e sua divulgação, divulgar notícias e informações que agregam para o processo de crítica à crise e mobilizam valores antagônicos àqueles que prevalecem atualmente, pode ajudar muito para a superação da crise.

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