Quem é Ricardo Vélez Rodríguez, o novo Ministro da Educação

Ricardo Velez Rodriguez

Por Vanessa Bencz, para o Tribuna Universitária

Conhecido por exaltar ideais militares e religiosos, o escolhido para encabeçar o MEC no governo Bolsonaro foi indicado por Olavo de Carvalho

Passaram-se poucos dias da cerimônia de transmissão de cargo para o novo ministro e as polêmicas que estavam previstas para desencadearem-se no decorrer dos quatro anos do governo de Jair Bolsonaro (PSL) já começaram a pipocar. Indicado pelo filósofo Olavo de Carvalho para a equipe de educação do governo de Bolsonaro, Vélez Rodríguez bate continência para as requisições educacionais do presidente. Influência de militares e de ideais religiosos, combate a supostas pautas nocivas aos bons costumes e escola sem partido: a linha de pensamento dos primeiros recrutados ao MEC parece estar em sintonia com a ideia de guerrear contra o “marxismo cultural”.

Entretanto, a ideia da paz parece ainda estar distante no horizonte. Os nomes que o colombiano escolheu para assumir as secretarias do MEC causaram desconforto e pontos de interrogação até mesmo por trás das trincheiras criadas pelo governo Bolsonaro. Entre os seis escolhidos por Vélez Rodríguez, três são ex-alunos do ministro. Como ele, os profissionais não possuem experiência em gestão pública. Para estimular reflexões a respeito, a Tribuna Universitária preparou um perfil de cada um dos dirigentes que assumirão as pastas da educação em 2019.

Trajetória

Dos seus 75 anos de vida, Vélez Rodríguez soma 55 anos de dedicação acadêmica. Colombiano naturalizado brasileiro, Vélez Rodríguez conquistou o primeiro diploma aos 20 anos, em Bogotá: foi licenciado em filosofia pela Pontifícia Universidade Javeriana. Dois anos depois acrescentou ao seu currículo o diploma de teologia pelo Seminário Conciliar. A partir daí, dedicou-se a colocar em prática seus recentes conhecimentos como docente. Entre 1968 e 1973, trabalhou como professor em instituições de ensino superior colombianas. Em 1974, aos 31 anos, Vélez Rodríguez almejou ampliar sua coleção de diplomas. Concluiu mestrado em filosofia no Brasil, pela Pontifícia Universidade Católica (Puc) do Rio de Janeiro.

Em 1975, Vélez Rodríguez retornou à Colômbia para assumir a pró-reitoria de pós-graduação e pesquisa na Universidade de Medelim. Entretanto, o país não desfrutava exatamente de momentos de tranquilidade – o então presidente da Colômbia Alfonso López Michelsen administrava graves problemas econômicos que resultaram em descontentamento generalizado no país. Em 1978, após onda de protestos políticos, Vélez Rodríguez botou em prática o plano voltar para o Brasil e estabelecer-se de vez.

Em terras brasileiras, assumiu diversas atividades, entre elas: pesquisador na Sociedade de Cultura Convívio; redator da revista Convivium e conferencista da Universidade de São Paulo (USP), no curso de Estudo de Problemas Brasileiros. Depois, lecionou pelo departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) onde fundou o curso de pós-graduação em Pensamento Político Brasileiro. Em 1982, obteve o título de doutor em filosofia pela Universidade Gama Filho, já extinta. Por conta do destaque de sua atuação, foi privilegiado com o título de professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), instituição que atua na formação de oficiais de alta patente.

Linha de pensamento

Em novembro de 2018, assim que teve seu nome confirmado para encabeçar o MEC, Ricardo Vélez Rodríguez publicou em seu blog um texto intitulado “Um Roteiro para o MEC”. Em uma passagem deste artigo, o ministro da educação cita que “a proliferação de leis e regulamentos sufocou, nas últimas décadas, a vida cidadã, tornando os brasileiros reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de revolução cultural gramsciana.

No mesmo texto, Vélez Rodríguez afirma que aposta “numa política que retome as sadias propostas dos educadores da geração de Anísio Teixeira, que enxergavam o sistema de ensino básico e fundamental como um serviço a ser oferecido pelos municípios, que iriam, aos poucos, formulando as leis que tornariam exequíveis as funções docentes”.

O ministro não poupa críticas à influência marxista, garantindo que ela será combatida das escolas. “Não permitiremos que pautas nocivas aos nossos costumes sejam impostas ao País com a alegação de que se trata de temas adotados alhures por agências internacionais”, diz. Família, igreja, escola, estado e pátria: em resumo, esses são os pilares estipulados pelo novo ministro da educação. Assim que assumiu o cargo de ministro, a plataforma onde costumava publicar suas reflexões saiu do ar.

Essa matéria faz parte da reportagem de estréia do portal Tribuna Universitária sobre os novos dirigentes do Ministério da Educação sob o governo de Jair Messias Bolsonaro. Confira outras matérias sobre o assunto:

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