Relatos de diretores latino-americanos sobre o FAM 2019

Felipe-Nepomuceno
Felipe Nepomuceno

O Festival de Cinema de Florianópolis exibiu na 23ª edição, cerca de 121 produções cinematográficas entre os dias 26 de Setembro e 2 de Outubro.

A programação foi composta por atividades simultâneas, como o Fórum Audiovisual do Mercosul, Rally Universitário, Encontro de Coprodução, seminários, oficinas e muitas conexões.

Por meio da interação com o público e outros profissionais do setor, cineastas puderam adquirir outra compreensão do idioma, bem como, adquirir novas ferramentas práticas para navegar pelos caminhos criativos e comerciais, do desenvolvimento ao marketing, do financiamento à distribuição dos filmes.

Os diretores reconhecem que festivais internacionais de cinema como este, são plataformas de lançamento de seus filmes, e uma forma de buscar visibilidade para o cinema latino-americano sem perder a carga política.

Você não acompanhou o Festival de perto? Ou esteve por lá, mas está curioso para saber os olhares de quem esteve nos bastidores desta edição? Seja qual for o seu caso, continue essa leitura para saber mais desse intercâmbio intercultural que só acontece no cinema.

Redes se fortalecem no FAM

Em entrevista Felipe Nepomuceno, que exibiu o longa-metragem “Eduardo Galeano Vagamundo” e Loli Menezes diretora do curta-metragem “Selma Depois da Chuva“. Contam um pouco das suas impressões sobre a dimensão cultural do festival, das coproduções no Mercosul e da rede de contato que vem se fortalecendo.

A experiência no FAM tem sido fantástica, todas as exibições foram emocionantes

Felipe Nepomuceno.

Em seu relato Felipe nos conta que: “como estudante de graduação da UNIRIO – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, sente cada vez mais a necessidade de estar presente e lutar pelos espaços públicos de educação para contribuir de alguma forma. E chega enfatizar que, quanto mais escolas e universidades públicas existirem, menos presídios e quartéis teremos. Quanto mais livros, menos armas. Quanto mais salas de cinema, menos farmácias“.

Ele completa: “acredito que a arte tem o poder da cura. Ao mesmo tempo que permite nos reconhecer como partes de um território, seja ele o Mercosul ou a América Latina como um todo. E o cinema nos ajuda nessa noção de reconhecimento, porque toda sociedade precisa de um espelho“.

A questão da coprodução cinematográfica no Mercosul ainda precisa ser fortalecida

Loli Menezes.

No ano passado, relata que participou com seu projeto de longa-documentário “Meu Tio Tommy – o homem que fundou a Newsweek” no Encontro de Coprodução. E foi uma ótima oportunidade de ampliar seu ‘networking‘. Os ‘feedbacks‘ dos ‘pitchs‘ e rodadas de negócios, a ajudou também a redimensionar a visão sobre o projeto.

Embora Loli veja as coproduções ainda tímidas, “por termos nossas fronteiras tão próximas”, afirma que há filmes e séries sendo lançados em parcerias entre países do Mercosul. Afirma ainda, que o FAM é um evento onde nascem muitas dessas combinações.

ampliar o público é um desafio

Em relação ao público, diz que a maioria dos festivais de cinema no Brasil são mais frequentados pelo povo que produz, ou seja, os próprios cineastas. Esse ano, por exemplo, além da qualidade da curadoria, o festival contou com exibições no shopping, preços acessíveis, projeções de alta qualidade, de som e imagem.

É uma pena que as pessoas não tenham o hábito de frequentar os festivais de cinema, porque o evento é feito para todos

Loli Menezes

Tribuna Universitária: Onde, como e quando você assiste filmes latino-americanos?

Felipe Nepomuceno: Vejo filmes latino-americanos no cinema, na televisão, no computador, no celular, estou sempre buscando filmes latino-americanos para ver e festivais como o FAM ajudam muito, principalmente quando têm uma curadoria tão cuidadosa como a que encontramos aqui.

Loli Menezes: Assisto muitos documentários na Netflix, mas onde mais vejo filmes latino-americanos é no FAM, desde sempre. Esse é um momento do ano onde eu paro e assisto o que os ‘hermanos‘ estão produzindo, na Argentina, Uruguai, Colômbia, Peru, Paraguai… Uma oportunidade de conhecer os trabalhos, principalmente os curtas-metragens, que não tem mercado, não chegam nos cinemas e poucos são exibidos na TV.

Tribuna Universitária: O Festival proporciona intercâmbio entre os participantes?

Felipe Nepomuceno: O FAM proporciona de várias formas o intercâmbio entre os participantes, principalmente com os debates após as sessões e ações como o Rally Universitário, com estudantes de diversos países.

Loli Menezes: Muito! Os organizadores fazem questão de aproximar as pessoas, estão sempre atentos, nos incentivando a trocar experiências e contatos com cineastas de diferentes países e regiões do Brasil, seja nos intervalos das sessões, happy-hours ou até mesmo nos corredores.

Ao analisar a rede de produção cinematográfica no Mercosul, observamos um mercado emergente, com crescimento no número de produções a cada ano. Ainda que, uma indústria regional integrada ainda não seja uma realidade tão produtiva, quanto seu potencial.

Quer saber mais dos bastidores do FAM 2019? Leia aqui na Tribuna Universitária a continuação dessa reportagem em FAM proporciona encontros.

Sobre Juliana Polippo 6 artigos
Brasileira, graduada em 'Produção Multimídia' pela Universidade Santa Cecília em Santos/SP, com especialização em 'Fotografia: Práxis e Discurso Fotográfico' pela Universidade Estadual de Londrina. É pesquisadora do programa de mestrado em 'Multimédia' da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.  

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