USP e Itaú firmam parceria para pesquisar soluções para Educação Básica

(Da esq.p/dir.) O diretor do Instituto de Estudos Avançados, Paulo Saldiva; o reitor Vahan Agopyan; a superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann, e o coordenador da Cátedra, Nilson José Machado – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
O Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA) e a Fundação Itaú Social lançaram a Cátedra de Educação Básica para fomentar políticas públicas para esse nível educacional.

Com um orçamento anual de 1 milhão de reais aportados pela Fundação Itaú Social foi lançada no dia 21 de fevereiro a Cátedra de Educação Básica. Essa instância da USP, analisará experiências inovadoras e ações relacionadas à formação e ao desenvolvimento profissional de professores para identificar medidas que subsidiem políticas para solucionar problemas da educação básica no curto prazo.

Segundo o coordenador do projeto , Professor Nilson José Machado, da Faculdade de Educação da USP, a ideia é produzir “(…) resultados em quatro ou cinco anos. O principal problema da educação brasileira é a falta de um projeto. Se tivéssemos um projeto para a educação, até a falta de recursos seria mais fácil de administrar”.

A fundação da cátedra foi motivada pelo documento “Diagnósticos e Propostas para a Educação Básica Brasileira”, elaborado pelo Grupo de Estudos Educação Básica Pública Brasileira: Dificuldades Aparentes, Desafios Reais, do IEA/USP. O documento foi elaborado entre 2017 e 2018, a partir das sínteses dos seminários que o grupo realizou e tem como objetivo apresentar propostas de atuação com vistas na superação das dificuldades que o diagnóstico realizado apontou.

[pretendemos] resultados em quatro ou cinco anos. O principal problema da educação brasileira é a falta de um projeto. Se tivéssemos um projeto para a educação, até a falta de recursos seria mais fácil de administrar

Prof. Dr. Nilson José Machado, coordenador da cátedra da educação básica

Foram realizados 5 seminários temáticos que contaram com a participação de pesquisadores da área, dentre eles Bernardete Angelina Gatti, presidente do Conselho Estadual de Educação de São Paulo; Maria Inês Fini, que na ocasião era Presidente do INEP; Guiomar Namo de Mello, ex- secretária de educação da capital paulista (1982-1985); César Callegari, ex-presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, José Francisco de Almeida Pacheco, da Escola da Ponte, dentre outros.

O Magistério em questão

No primeiro seminário o tema foi “Magistério na Educação Básica Pública: Qual o Perfil? Quais as Condições de Trabalho?” e uma das propostas apresentadas, que trata das condições de trabalho, foi a operação de uma mudança cultural-legal em relação aos conselhos de educação. Os Conselhos deveriam exercer uma função mediadora entre mercado e estado na regulamentação da profissão de professor, cumprindo papel semelhante ao da OAB no direito e CRM na medicina.

Outras propostas trataram da formação continuada, estágios, da permanência dos docentes em sala de aula e em uma única escola, além da carreira do magistério da educação pública. Nesse último item, se propôs uma carreira de estado para todos os níveis da educação publica, tendo como referência o Projeto de Lei 2 286/2015, de autoria do senador Cristovam Buarque.

Qualidade da educação

A Qualidade na Educação Básica foi o tema do segundo seminário que teve como desafio refletir sobre o que seria uma educação de qualidade, uma escola de qualidade. As reflexões convergiram em torno de vários como, BNCC, currículo, competências, obsolescência da educação diante das novas tecnologias e revolução digital, formação e valorização de professores, liderança de diretores, reconhecimento da influência cultural e social extra-escolar. Um tema a se destacar é a centralidade do reconhecimento de que a qualidade pode ser aferida através das avaliações sistêmicas que visam medir a aprendizagem dos alunos e sua ligação com a BNCC e também a certificação de professores, que visa resolver o problema da qualidade do ensino oferecido pelo corpo docente.

Entre o real e o virtual

O terceiro seminário versou sobre Tecnologias, Educação a Distância, Escola Integral e teve propostas sintéticas sobre a superação da dificuldade de se usar as novas tecnologias e da afirmação da sua condição de mediação, ou seja, “são meios fundamentais para que sejam atingidos os fins educacionais”. Também se problematizou a relação e interação entre o real e o virtual e entre a pessoalidade e privacidade, sobretudo nas redes sociais.

O seminário sobre Documentos oficiais, quarto da série que deu origem ao diagnóstico e propostas, que por sua vez motivaram a constituição da cátedra da educação básica, tem por objetivo problematizar a viabilidade, impactos e lacunas dos documentos oficiais que, caracteristicamente, “incluem excesso de minudências”.

Em relação à síntese das propostas desse seminário destaca-se o reconhecendo da necessidade de recursos adequados para pessoal, instalações e equipamentos, para se cumprir as orientações educacionais emanadas por meio dos documentos. Outra preocupação é a carência de maior representatividade dos conselhos de educação em todos os níveis.

Espaço para inovar

O quinto e último seminário foi sobre escolas e experiências inovadoras, que teve como objetivo, nas palavras do próprio relatório “superar a visão superficial, decorrente da divulgação dos resultados de avaliações periódicas, realizadas por diversas instâncias, nacionais e internacionais, de que o sistema educacional brasileiro é um completo fracasso”.

As propostas desse seminário focaram no estimulo e indução de práticas inovadoras na educação, que precisariam de ambiente escolar mais autônomo, tanto para indivíduos como para escolas. Reivindica-se que sistema valorize as atuais experiências, além de promover uma regulamentação administrativa subordinada às necessidades pedagógicas, superando a burocratização dos processos.

A cátedra em funcionamento

A dinâmica da Cátedra no seu início será parecida com a dinâmica do grupo que a motivou. Um ciclo de seminários com o tema “ação e formação do Professor” será realizado entre março e maio de 2019. No segundo semestre os especialistas da cátedra terão um período de campo, quando visitarão as “experiências exitosas” para colher informações e dados que serão subsídio da pequisa que realizarão.

Abaixo reproduzimos o vídeo institucional produzido pela TV USP que trata do estudo que motivou a instituição da cátedra.

Essa matéria contou com informações do Jornal da USP

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