Viver100: como sobreviver às intolerâncias alimentares?

Começo essa coluna perguntando: Como é possível sobreviver com restrições alimentares em Florianópolis? Minha resposta, depois de alguns anos com as intolerâncias diagnosticadas é: Não sei!

Vou explicar. O não sei é bem sugestivo, por dois motivos. O primeiro é que de fato não sei como eu consigo, e como as demais pessoas conseguem, ter uma vida sociável com sérias restrições alimentares. O segundo, é que eu não sei como uma cidade com fama de saudável, sensível às causas naturais, orgânicas e alternativas alimentares, não oferece uma experiência normal (o básico) de alimentação aos alergênicos e multi-intolerantes.

multi-intolerante: pessoas que apresentam intolerância a vários tipos de alimentos ao mesmo tempo.

Vamos ser justos. Sim, existem espaços em Florianópolis que se preocupam com os intolerantes e alergênicos [alimentares] e oferecem alimentações diferenciadas das que encontramos congeladas no supermercado. No entanto, o objetivo dessa coluna é mostrar o quão difícil é, para mim, ter uma vida normal com todas as minhas restrições alimentares. Quando digo normal, me refiro a situações cotidianas que não são supridas com alimentos congelados e/ou espaços aleatórios na cidade.

Vou dar um exemplo: ao sair com minha família para fazer algo na rua sem pretensões específicas de comida e, no meio do caminho, bater aquela fome e eu estar desprevenida sem minha marmita, a tragédia começa.

Primeiro dilema é decidir um lugar perto de onde estamos, não, não tem… não, não sei… tem tal lugar, é bem legal, mas não sei se tem algo que possa comer… nesse ponto, a fome já passou e o estresse por não ter conseguido decidir por nenhum lugar já tomou conta de todos nós… O que era para ser um evento casual, resultou em uma volta para casa frustrada.

Mas também tem aqueles dias que, para não levar minha família para o abismo de não ter o que comer, topo ir em qualquer lugar ( que na verdade acontece com mais frequência). Ai as experiências são infinitas e as mesmas de sempre (sic!) Não como nada, na maior parte das vezes… a água me salva.

Você deve estar se perguntando sobre aqueles espaços que mencionei anteriormente. Sim, eles existem aqui em Florianópolis e eu, obviamente, conheço somente alguns. Desses, dos poucos que conheço, experimentei e que não passei mal ao fim do dia, consigo colocar em menos de uma mão (por enquanto, espero eu!). Acontece que, em uma situação corriqueira da vida os espaços que conheço acabam ficando bem fora de mão. Na maior parte das vezes ou são longe de onde estou, ou simplesmente e, normalmente, são caros demais para ir com a família toda.

Sim gente, essa é a saga de uma multi-intolerante a alguns (vários) alimentos e com um intestino um tanto quanto temperamental. E não, não estou exagerando (infelizmente!).

Aqui, vou postar minha vivência e experiências pós diagnóstico com a intenção de mostrar as alternativas que podemos encontrar em Florianópolis para #viver100 neuras e preocupações com relação aonde ir e o que fazer. Quem quiser, vamos juntas!

Sobre Kamille Vaz 3 artigos
Doutora em educação. Pedagoga. Pesquisa políticas educacionais, especialmente, políticas de educação especial. É intolerante ao glúten, lactose e vários outros tipos de alimentos que fermentam no estômago. Mãe de adolescente.

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